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Professora lista 5 dicas para não se perder na hora de estudar atualidades

Querer estudar cada desdobramento de cada grande acontecimento no Brasil e no mundo não é o caminho indicado

Por Luccas Diaz Atualizado em 19 Maio 2022, 17h36 - Publicado em 6 abr 2022, 20h15

Em um mundo cada vez mais abarrotado de informações, estudar atualidades pode se tornar um desafio. Com uma pandemia, uma intricada crise financeira e uma guerra ocorrendo ao mesmo tempo, como acompanhar todos os acontecimentos do Brasil e do mundo e estudá-los de uma forma saudável?

Aqui no GUIA DO ESTUDANTE sugerimos filmes, séries, podcasts e newsletters que podem servir como um apoio para estes estudos. Mas na hora da prática, é preciso saber filtrar, organizar e estruturar todas essas dicas em um plano de estudos. Para isso, convidamos a professora Fabiana Pegoraro, doutoranda de Geografia Humana na Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora de geografia do Colégio Rio Branco. Confira as cinco dicas elencadas por ela:

1 – Desenvolva um filtro para fontes confiáveis

A Rússia é acusada de fornecer armamentos e munições para os rebeldes da Ucrânia
A Rússia é acusada de fornecer armamentos e munições para os rebeldes da Ucrânia, conflito que assombra o país desde fevereiro de 2022. Getty Image/Reprodução

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No dia em que a Rússia iniciou o ataque militar na Ucrânia, chamou atenção nas redes sociais a rapidez com que alguns perfis nada especializados se tornaram, do dia para a noite, veículos de cobertura de guerra. Em uma batalha por likes e engajamento, páginas que antes cobriam o universo do entretenimento ou assuntos correlatos viram na guerra uma oportunidade de aumentar o número de curtidas e seguidores – por vezes utilizando informações não checadas, técnicas sensacionalistas e vídeos desconexos.

“Hoje em dia, as informações de todos os tipos circulam muito aleatoriamente”, diz a professora. “Eu sei que os jovens gostam muito de redes sociais, mas a primeira dica que eu dou é: tenha um filtro na hora de consumir essas informações. É em um site confiável, de um veículo de comunicação? Quem é que está falando? Essa pessoa estuda algum tema nessa área? Ele é profissional nesse assunto? Ou ele é somente um palpiteiro?”

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Em um mundo digital sobrecarregado de opiniões, é essencial filtrar a fonte dos conteúdos. Ainda no caso da Guerra da Ucrânia, outro ponto que chamou a atenção foi a quantidade de celebridades dando aulas nas redes sociais sobre os acontecimentos. A professora recomenda que na hora de procurar informações sobre um tema da atualidade, o aluno tenha um discernimento aguçado em relação a quem está falando.

“Uma fonte confiável é aquela pessoa que realmente estuda sobre aquilo, que tem uma carreira sobre aquele assunto”, afirma. “Tem especialistas do tema falando nas redes sociais, mas ao mesmo tempo tem muita gente que nunca estudou aquilo na vida e de repente é especialista em vacina, em guerra etc. E está ali dando o seu palpite”.

2 – Repare nas notícias que são repetidas na programação dos veículos

Desastre no Nepal
No dia 25 de abril de 2015, uma série de terremotos atingiu o Nepal, país asiático localizado na região dos Himalaias. Um dos tremores foi o mais forte a atingir o país em 81 anos, chegando à magnitude de 7,8 graus na escala Richter. Mais de 8 mil pessoas morreram e várias construções desabaram, incluindo templos e museus. Getty Images/Reprodução

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É muito comum que casos de política, economia ou até mesmo de uma guerra e de pandemia, como no cenário atual, tenham desdobramentos diários. E acompanhar cada nova notícia sobre eles é não somente exaustivo, como também desnecessário.

“Quando um acontecimento é realmente importante, ele vai trazer efeitos para sociedade em diversas escalas. Ele não vai acontecer em um dia e morrer no dia seguinte. Ele vai estar reverberando por algum tempo – nem que seja por, pelo menos, uma semana”, diz Fabiana.

A dica prática que a professora dá é: fique de olho nos temas mais frequentes no noticiário.

“É fácil identificar porque são as coisas que ficam se repetindo na mídia. A mídia tem essa característica de ficar a semana inteira falando sobre aquele assunto. Então se aconteceu e está repetindo a semana inteira, fica atento porque é uma coisa importante”, aconselha.

3 – Crie uma tabela de causa e consequência e atualize semanalmente

Enem digital 2020
Em decorrência da pandemia de coronavírus, o Enem Digital 2020 foi realizado com medidas de segurança. Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Focar na relação de causa e consequência é uma das sugestões da professora para os estudantes que querem acompanhar as atualidades. Ela explica que o Enem e os grandes vestibulares não vão cobrar a opinião do candidato sobre determinado acontecimento, mas sim seu posicionamento crítico sobre aquele assunto e a capacidade de conectá-lo com as matérias vistas em sala de aula.

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“Na hora de estudar algum acontecimento contemporâneo, divida o assunto em uma tabela com duas colunas: causa e consequência. Vejamos, por exemplo, a Guerra na Ucrânia: você coloca as causas do conflito um lado, e as consequências do outro”, sugere.

Para quem quer se aprofundar ainda mais, a professora sugere ramificar essas colunas em outras. “Subdividir a coluna das causas a partir do ponto de vista da Rússia, do ponto de vista da Ucrânia, da Otan. Mesma coisa nas consequências, dá para reparti-la a partir do ponto de vista dos Estados Unidos, da Rússia, da Ucrânia etc.”, explica.

Para ela, um ritmo saudável para adicionar novas linhas à tabela seria uma ou duas vezes por semana. E, é claro, criar novas tabelas caso outros grandes acontecimentos apareçam.

4 – Foque no recorte de tempo cobrado nas provas

Protesto
“Precisamos continuar a responsabilizar os líderes por suas ações. Não podemos ficar calados sobre a injustiça climática”, escreveu Vanessa Nakate durante a COP26, em 2021. Instagram/Divulgação

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De forma geral, os vestibulares não costumam cobrar acontecimentos de atualidade que ocorreram às vésperas da prova – nesta reportagem, explicamos que isso ocorre porque a prova do Enem é fechada com meses de antecedência.

Essa informação pode ser valiosa para que o estudante defina um recorte de tempo em relação aos estudos.

“Normalmente, e digo isso de forma geral, os vestibulares e o Enem pegam acontecimentos da segunda metade do ano anterior até a metade do ano que ele vai ocorrer”, afirma Fabiana. “Hoje, eu indicaria estudar os acontecimentos a partir da segunda metade de 2021 até junho, julho de 2022.”

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A professora explica que não é necessário decorar datas e nomes, mas também não é indicado simplesmente ignorá-los.

“Minha dica é: se não lembra, não coloca. É melhor não colocar do que colocar errado”, diz. “Por exemplo, se você não lembra o nome do Zelensky, coloca apenas ‘presidente da Ucrânia’. Se você não recorda a data específica, coloca um recorte aproximado, como ‘há alguns anos’, ou ‘na segunda metade dos anos de 2010’, ou ainda ‘no século 19’. É bacana mostrar que você tem uma noção do tempo, isso é importante”, pondera.

5 – Reconheça os temas “favoritos” dos vestibulares

Indiana vítima de enchente estende um prato para receber comida
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o número de pessoas refugiadas como resultado das mudanças climáticas gira em torno dos 21,5 milhões por ano, desde 2010. Getty Images/Reprodução

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Na maior parte das vezes, as questões de atualidades dos vestibulares cobram do candidato a associação de determinado acontecimento com algum conteúdo estudado no Ensino Médio. Por conta disso, há algumas categorias de acontecimentos que, historicamente, figuram com frequência nas provas.

“Conflitos, por exemplo, é uma coisa que sempre ganha destaque”, diz a professora. “Em 2022, além das eleições, a gente tem Copa do Mundo, então o Catar é um país que vai estar em evidência.”

Além disso, ela também destaca os problemas socioambientais como uma aposta para as provas. “Toda a situação de Petrópolis, o vulcão na Ilha de La Palma, a questão do desmatamento e da crise da água, as mudanças climáticas, a COP26”, exemplifica.

Fabiana, porém, adverte que vestibulares mais críticos podem fazer uma abordagem diferente da tradicionalmente esperada.

“Estou vendo muito o pessoal das Ciências Humanas questionar por que que a mídia dá tanta atenção para a Guerra na Ucrânia, sendo que tem uma guerra acontecendo no Iêmen há alguns anos e ninguém fala disso. Então, um vestibular como o da Unicamp e da Fuvest, ao invés de pegar a guerra da Ucrânia, que está ‘manjada’, pode cobrar guerra do Iêmen ou algum outro conflito”, avalia.

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