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Enem 2021: ‘2ª prova não inovou e foi mais conteudista’, dizem professores

Cursinhos analisam os conteúdos de ciências da natureza e matemática cobrados no exame

Por Wender Starlles Atualizado em 29 nov 2021, 01h10 - Publicado em 28 nov 2021, 19h07

O segundo dia do Enem 2021 foi mais conteudista e exigiu menos interpretação de texto dos candidatos, na avaliação de professores consultados pelo GUIA. Apesar da ausência de questões sobre pandemia ou vacinas, a prova abordou assuntos cobrados durante o ensino médio.

Na avaliação de Fernando Santo, gerente de Inteligência Educacional e a Avaliações do Poliedro, os tipos de itens presentes na prova de hoje evidenciam a escassez do Banco Nacional de Itens, a base de dados de onde são retiradas as questões do Enem. “Isso pode apresentar um desafio maior aos estudantes. Na prova de matemática muitos itens demandaram traquejos algébricos em suas resoluções”, comenta.

Para Daniel Perry, diretor do Curso Anglo, os conteúdos cobrados atenderam ao padrão estabelecido de edições anteriores, com questões contextualizadas e analíticas, além de uma boa diversidade de fontes. “As provas de matemática e ciências da natureza não costumavam propor polêmicas e continuaram dessa forma”, explica.

O diretor pedagógico do Oficina do Estudante, Daniel Cecílio, achou que a prova estava desatualizada e desconexa com a atualidade. “O Enem ignorou o momento que estamos atravessando. Além disso, não houve citações classificadas como ‘pop’, diferente do que encontramos em 2020 quando caiu até MC Fioti”, analisa.

Confira a análise e os comentários da segunda prova do Enem por disciplina:

Acompanhe a cobertura completa do GUIA sobre o Enem 2021: gabarito, redação, comentários dos professores e mais 

Física

Para a surpresa do professor Vinicius Silveira, do Colégio e Curso AZ, a prova deste ano contou com mais questões teóricas. A parte que exigia do candidato fazer contas para conseguir encontrar a resposta correta foi menos explorada. “Estava menos braçal. Eu identifiquei três questões bastante difíceis, que estavam totalmente dentro do esperado. E o restante dividido entre médias e fáceis”, explica.

Ele comenta que os conteúdos mais esperados foram cobrados nas perguntas, como ondulatória, eletrodinâmica, calorimetria, cinemática e dinâmica. “Não tinha nenhuma grande exceção, os assuntos que apareceram já tinham aparecido antes”, disse.

O professor Arnaldo Nobre, do Oficina do Estudante, discorda da predominância de conteúdos teóricos na prova. “Foi exigente em termos de assuntos sendo necessária a realização de várias operações numéricas e análises lógicas das questões”, comenta.

Para ele, o item 108 da prova rosa sobre gravitação estava mal formulado. Já o 103, sobre lançamento oblíquo, teve mérito pelo grau de dificuldade. A questão 134, cujo assunto foi dipolo, chamou atenção por não ser algo cobrado usualmente no Enem. Enquanto as questões 92 e 112, ambas sobre propagação de calor, trataram de assuntos muitos específicos.

Entre as disciplinas de ciências da natureza, física foi a mais trabalhosa. Apesar da ausência de questões sobre ótica, a distribuição de temas atendeu às expectativas de Perry, do Anglo. “Algumas perguntas exigiam cálculos complexos. Outras tinham o enunciado pouco precisos, o que poderia dificultar para o candidato”, comenta.

Perry destaca a presença de muitos temas ambientais: um item abordava o fenômeno climático da ilha de calor na cidade de São Paulo e, em outra, versou sobre baterias para carros elétricos.

Química

Segundo Júlio César, professor do Colégio e Curso AZ, os participantes que se dedicaram e estudaram provavelmente fizeram uma boa prova. Um dos destaques para ele foi um item de estequiometria. “O Enem não deu as massas molares, mas disse as massas de duas substâncias e que uma é o dobro da outra. Então, a partir dessa proporção o candidato seria capaz de resolver essa pergunta. Mas, esse tipo de abordagem não é comum”, argumenta.

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Sobre o nível de dificuldade, Caê Lavor, professor e diretor de soluções educacionais do SAS Plataforma, explica que a prova não estava difícil de ser resolvida ou com questões complexas. “O aluno tinha que ter conhecimento da disciplina, mas de forma bem prática”, disse.

Os alunos que prestaram atenção aos assuntos trabalhados em sala de aula não tiveram dificuldade na resolução das questões, de acordo com Marcos César, professor da Oficina do Estudante. “Foi considerada de nível médio, com questões diretas e clássicas, como reações orgânicas, eletroquímica e cálculo estequiométrico. Apenas um destaque para a quantidade de perguntas de química orgânica acima do normalmente cobrado no Enem”, afirma.

Perry, do Anglo, destaca um item sobre os prejuízos do uso de pesticidas no meio ambiente e os motivos pelos quais eles eram banidos. Em outro, a utilização de hidrogênio como combustível em veículos automotivos. Por fim, o destaque também ficou para uma questão sobre tratamento de esgoto.

Biologia

Diferente de edições anteriores, o professor Rafael Cafezeiro, do Colégio e Curso AZ, achou a prova deste ano mais difícil. “Quatro perguntas de biologia vegetal me surpreenderam. É um assunto esperado, mas eu não imaginava essa incidência tão grande”, comenta.

Na visão de Fábio Vilar de Menezes, professor da Oficina do Estudante, os temas tiveram grau mediano de dificuldade. Além disso, ele sentiu a falta de temas da atualidade, como perguntas sobre a covid-19, pandemia ou vacina. “Uma questão que chamou a atenção da nossa banca foi a 118, da prova rosa, que aborda o vírus ebola e dengue ao discutir a adaptação à condição de parasita”, destaca.

Matemática

Mário Fernandes, professor de Matemática do Oficina do Estudante, disse que a prova exigiu cuidado durante a leitura e também interpretação de dados, gráficos e tabelas. “Duas questões chamaram nossa atenção: uma que pedia o cálculo de um volume de tronco de cone, algo raro de aparecer. E outra sobre a determinação de uma função trigonométrica”, disse.

Lavor, da SAS, destaca conteúdos sobre regra de três, juros, porcentagens e fração. “Contamos mais de 20 questões que envolviam análises de gráficos ou tabelas. O aluno tinha que ter essa capacidade analítica muito forte”, afirma.

Assim como anos anteriores, os itens de matemática estavam com uma contextualização relacionada ao dia a dia. “Era preciso aplicar os conhecimentos a situações do cotidiano. Exigiu dos candidatos uma leitura atenta do comando das questões”, avalia Perry, do Anglo, que destaca ainda uma quantidade relevante de perguntas com análises de gráficos.

De acordo com cursinhos, uma questão que aborda os times campeões da Copa do Brasil até 2018 não tem resposta correta. O item exigia que o candidato determinasse a análise combinatória de diferentes painéis montados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no campeonato. O Inep ainda não se pronunciou.

O gabarito oficial da prova está previsto para ser divulgado na quarta-feira, 1 de dezembro.

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