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Sisu: o que é classificação dupla e o impacto dela na escolha dos alunos

No domingo (11), após muitas críticas, o MEC anunciou uma mudança no cálculo das notas de corte que acabou com a classificação dupla

Por Juliana Morales Atualizado em 12 abr 2021, 11h32 - Publicado em 6 abr 2021, 15h16

Depois de prorrogar o prazo das inscrições do Sisu 2021/1 para quarta-feira (14), no domingo (11), após muitas críticas, o MEC anunciou uma mudança no cálculo das notas de corte. Na prática, a decisão do MEC acaba com a classificação dupla, que considerava a nota dos candidatos parcialmente classificados no curso de primeira opção para calcular a nota de corte do curso de segundo curso.

Entenda a polêmicas e as críticas envolvendo a classificação dupla.

#erronosisu

No ano passado, no meio do período de inscrições, o sistema do Sisu mudou a regra e começou a considerar as notas dos alunos nas duas opções. Assim, pessoas com notas altas estavam sendo aprovadas nas duas escolhas e as notas de corte acabaram subindo. Antes, o sistema não considerava, para a nota de corte, a segunda opção dos candidatos que já estavam sendo selecionados na primeira opção de curso.

+ Entenda o funcionamento da nota de corte e o que pode interferir na sua queda ou aumento

Na época, a mudança repercutiu muito nas redes sociais, e a hashtag #erronosisu entrou nos assuntos mais comentados do Twitter. No entanto, o MEC decidiu manter a alteração. A pasta afirmou que o modelo não aumenta artificialmente a nota de corte e que “a atual apresentação é mais transparente e segura”. Até então, a regra continuou valendo para o Sisu 2021/1.

Em fevereiro do ano passado, o jornal O GLOBO divulgou um levantamento sobre 3.353 cursos de universidades federais. A pesquisa apontou que, em 87% deles (2.908), a nota de corte caiu na comparação entre o último dia de inscrições no Sisu e o resultado final, atrapalhando a escolha dos alunos. 

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  • Classificação fantasma

    O professor de matemática Frederico Torres, coordenador do Colégio Pódion e fundador do Mente Matemática, define o modelo como uma classificação fantasma, já que, no fim do processo, o estudante classificado nas duas opções é considerado, automaticamente, só na primeira posição.

    Na edição passada, ele conta que um dos seus alunos estava na posição 41° em uma determinada universidade, quando o Sisu passou a considerar a classificação nas duas opções, ele caiu para a 81°. Quando saiu o resultado da chamada regular, em que os alunos foram classificados na primeira opção, ele subiu para 43°. “Felizmente, o candidato sabia como era e decidiu manter sua opção no último dia, mesmo com a dúvida”, relembra o professor.

    A crítica a essa classificação superficial é justamente essa: o aluno não consegue saber quantos dos estudantes que estão na frente dele podem, potencialmente, sumir quando sair a chamada regular.

    Torres diz que só é possível ter uma noção se tem chance de conseguir a vaga, apesar dessa classificação fantasma, se o aluno souber a última prévia no ano passado, e analisar qual foi a queda da nota de corte no último dia no curso e na instituição escolhida. “E só tem acesso a essa prévia quem estava acompanhando o ano passado e registrou os números”, explica. “Por isso é difícil os alunos fazerem essa análise”.

    Não é à toa que a regra causou tantas críticas, que o MEC acabou voltando atrás. Assim, o sistema passa a funcionar como nas edições anteriores às de 2020: classificados na primeira opção não serão considerados na classificação parcial da segunda opção de curso.

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