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Amazônia: tudo sobre o bioma e como ele pode cair no vestibular

No ano passado, os incêndios na floresta amazônica chamaram a atenção do mundo. Neste ano, eles estão ainda piores

Por Taís Ilhéu - 29 set 2020, 10h17

Durante o ano de 2019, em especial a partir de julho, os olhos do Brasil e do mundo voltaram-se às queimadas e ao desmatamento da maior floresta do planeta, a Amazônica. Só até agosto, o número de focos de incêndio da região já era um recorde nos últimos dez anos, e não tardou para os efeitos da destruição romperem as barreiras geográficas e mostrarem a sua gravidade escurecendo o céu da maior metrópole brasileira, São Paulo, às 15h de uma segunda-feira. Um corredor de nuvem de fumaça das queimadas estava percorrendo a América do Sul. 

O ano de 2020 chegou com preocupações com a pandemia do novo coronavírus, os incêndios do Pantanal, a violência policial e tantas outras. E a destruição da floresta amazônica saiu do foco do debate público. Apesar disso, o número de focos de calor deste ano já ultrapassou o dos últimos dois, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em todo o ano passado, foram 11 mil focos de calor. Neste ano, só até a terceira semana de setembro, já foram registrados 20,4 mil. 

Assim como no Pantanal, estudos apontam que a causa principal dos incêndios na Amazônia é a expansão da fronteira agrícola, com uso do fogo para abrir espaço para plantio e pastagem. 

O problema não é recente: entre 2000 e 2018, o bioma amazônico perdeu 6,2% de sua cobertura vegetal. E mudanças promovidas pelo governo federal e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) desde janeiro de 2018, especialmente na fiscalização das áreas florestais, têm agravado a situação. O Serviço Florestal Brasileiro, que tinha entre seus objetivos proteger e ampliar as áreas florestais do país, saiu no ano passado da alçada do Ministério do Meio Ambiente e foi para o Ministério da Agricultura.

E o que continuou sob o comando do ministro Ricardo Salles, no MMA, enfrenta um sério desmonte: servidores do Ibama, do ICMBio e de outras autarquias já foram publicamente desmoralizados pelo ministro e perderam sua autonomia. Algumas outras iniciativas, como o projeto de lei do senador Flávio Bolsonaro propondo o fim das reservas legais, acabaram sendo abandonadas. O texto foi retirado pelo próprio autor em agosto do ano passado.

Os impactos para o país são, além de ambientais, econômicos. O acordo entre União Europeia e Mercosul, que possibilitaria ao Brasil exportar em quantidades inéditas para o bloco, ficou balançado depois que líderes europeus o condicionaram à redução das queimadas e do desmatamento nas florestas brasileiras.

Principais características do bioma Amazônia e como elas podem aparecer nos vestibulares

Assim como as queimadas no Pantanal, a devastação da Amazônia também deve ser uma preocupação dos vestibulandos. Mesmo em 2019, quando professores de cursinho apostavam que a devastação ambiental poderia ficar de fora do Enem por ser um tema considerado “polêmico”, uma questão da prova de Ciências da Natureza questionou o desenvolvimento econômico às custas do esgotamento de recursos naturais, citando especificamente o caso da floresta amazônica. 

Conheça as principais características do bioma Amazônia e como elas já foram –  e podem voltar a ser –  temas de questões dos principais vestibulares

Localização e relevo

A Amazônia é sem dúvidas o bioma que mais acumula recordes no Brasil em função de sua extensão e biodiversidade. Para começar, vale dizer que ele ocupa praticamente metade (49%) do território do nosso país, estendendo-se pelos estados de Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Maranhão e Tocantins. Além disso, alguns de nossos vizinhos sul-americanos (Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela) também acabaram com uma pequena parcela do bioma amazônico em seus territórios de fronteira com o Brasil. 

Em um território tão grande assim, não é de se estranhar a ocorrência de mais de um tipo de relevo. A Amazônia consegue abarcar em sua extensão o relevo mais baixo do país – uma planície que leva o nome de Amazônica –  e o mais alto –  o planalto das Guianas, onde fica o pico da Neblina, a 3.015 metros de altitude. Além de planaltos e planícies, é possível encontrar ainda depressões, regiões que ficam constantemente alagadas e que guardam alguns dos símbolos amazônicos como a vitória-régia. 

Hidrografia

É neste bioma que fica também a maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia amazônica. Ocupando um território de cerca de 7 milhões de km², essa bacia tem como principal rio o Amazonas, onde desaguam mais de mil rios menores. Quer ainda mais um recorde? O rio Amazonas é o mais largo do mundo inteiro!

É tanta diversidade que ela existe até em termos de água. Convencionou-se dividir os rios que banham a Amazônia em três categorias: os barrentos (como o Amazonas), que carregam grande quantidade de nutrientes e sedimentos; os de águas pretas (como o Rio Negro), que apresentam grande quantidade de areia e húmus por banharem regiões alagadas; e os de águas claras (como o Xingu), que apresentam muitos trechos de corredeiras e cachoeiras. 

A hidrografia da Amazônia é um dos temas preferidos dos vestibulares ao abordar o bioma. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, já destacou em uma prova o potencial de navegação no Rio Amazonas. A construção de hidrelétricas, como a de Belo Monte, nos rios de águas claras do bioma também costuma ser um assunto frequente nas provas.

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Solo e vegetação

Ao contrário do que a vegetação densa e as árvores colossais da paisagem amazônica possam sugerir, esse bioma apresenta, na verdade, um solo bastante arenoso e considerado pouco fértil. O que mantém a exuberante vegetação natural da floresta amazônica é uma camada de nutrientes presente na parte mais externa do solo, formada a partir da decomposição da vegetação e de animais mortos. A floresta se mantém a partir de um constante ciclo de reciclagem dos nutrientes, no qual a vegetação absorve os nutrientes da terra e volta a devolvê-los quando caem folhas, galhos ou frutos. 

Por isso, além de destruir a vegetação nativa, o desmatamento na região contribui para o empobrecimento do solo, que perde sua fonte de nutrientes com a retirada das árvores. E o que resta deles é carregado pelas chuvas, num processo conhecido como “lixiviação”. 

Dados do Inpe estimam que 700.000 km² da Floresta Amazônica já foram devastados – o equivalente a quase 173 milhões de campos de futebol. A maior floresta tropical do mundo também abriga 22% das espécies de plantas nativas do planeta, que se dividem entre as três categorias de vegetação do bioma:

  • Mata de terra firme: localizada nas regiões mais altas, onde não acontecem alagamentos, essa vegetação inclui as árvores de grande porte, como as palmeiras e a castanheira-do-pará;
  • Mata de várzea: típica de regiões de altitude intermediária, passa alguns períodos do ano inundada – mas, mesmo dentro da categoria, existem regiões que passam por mais ou menos inundamentos. A palmeira e o açaizeiro são exemplos de plantas da mata de várzea; 
  • Mata de igapó: nas margens dos rios de águas negras (que ficam com essa cor por conta do sedimento gerado por essa vegetação e solo), essa mata passa a maior parte do ano inundada. Por isso, trata-se de uma vegetação chamada hidrófila, que é adaptada a regiões de muita água, como a vitória-régia. 

    Conhecer essas categorias de vegetação –  assim como o solo e o ciclo de vida da flora amazônica – pode ajudar muito no vestibular! A Universidade Estadual de Maringá (UEM), por exemplo, já perguntou sobre a exploração madeireira nas matas de terra firme da Amazônia. 

    Clima e regime de chuvas

    De clima predominantemente equatorial úmido, a Amazônia, diferente do Pantanal, não é um bioma que enfrenta longos períodos de seca em condições naturais. Embora a temperatura seja elevada (entre 22ºC e 28ºC na maior parte do ano), a transpiração da vegetação densa permite que a umidade seja alta também, chegando até a 80%. 

    E esse processo de transpiração de água pelas plantas influencia não só o regime de chuvas do bioma, mas de todo o país! A gente explica. As gotículas de vapor eliminadas pelas plantas formam os chamados “rios voadores”, massas de ar carregadas de vapor atmosférico que circulam por todo o país e caem na forma de chuva. Neste outro texto publicado aqui no GUIA explicamos com mais detalhes esse processo, além de outros processos importantes que acontecem na floresta amazônica e demonstram sua importância ecológica para o mundo. 

    Fauna 

    A fauna amazônica é tão rica que muitos pesquisadores estimam que, em meio às enormes árvores e regiões pouco exploradas, existem animais que sequer foram descobertos pelo homem. Das já conhecidas, são cerca de 30 milhões de espécies vivendo em terra, água ou ar na floresta. Entre os animais símbolo da Amazônia estão o tucano, as araras e os macacos. 

    Quer saber mais sobre a Amazônia e as muitas discussões atuais sobre o bioma? Dê uma olhada nestes textos que já publicamos por aqui sobre o assunto:

    As leis que protegem (e outras que ameaçam) a preservação da Amazônia

    Quais são as questões geopolíticas que envolvem a Amazônia?

    Atualidades: o desmatamento da Amazônia e o Brasil na mira do mundo

    Qual é a importância ecológica da Amazônia?

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