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Conflitos nas Coreias: uma briga além do corte de cabelo

Nos últimos dias, o corte de cabelo dos norte-coreanos virou notícia. A rádio Free Asia, sediada nos Estados Unidos, noticiou que os homens universitários seriam obrigados a terem o mesmo penteado do líder Kim Jong-un. Ao que tudo indica, parece que é só boato. No entanto, já é conhecido o fato de que o governo mantém no país uma lista de “cortes de cabelos aprovados” (e ela é bem limitada). Na prática, isso é um reflexo da falta de liberdade que os norte-coreanos têm sob o regime ditatorial, bem diferente dos vizinhos da Coreia do Sul, que vivem em uma democracia.

Representação do líder Kim Jong-un em um protesto realizado em Seul, capital da Coreia do Sul (foto: Getty Images/Chung Sung-Jun)

Representação do líder Kim Jong-un em um protesto realizado em Seul, capital da Coreia do Sul (foto: Getty Images/Chung Sung-Jun)

Essa diferença tem se acentuado e existe desde antes da Guerra da Coreia. Você sabia que, oficialmente, ela não terminou? Não houve um “tratado de paz”, apenas a assinatura de um armistício em 27 de julho de 1953, que colocou fim aos ataques militares entre os dois lados. Mas, mesmo assim, a tensão entre os países continua. O Norte da península vem testando a paciência do Sul e dos Estados Unidos ao realizar testes nucleares com mísseis. O último aconteceu essa semana, na quarta-feira (26).

A briga começou a ficar quente em março de 2013, quando o ditador norte-coreano suspendeu o cessar-fogo com a Coreia do Sul e anunciou estar em “estado de guerra” com o país rival. A medida foi tomada em protesto contra a realização de exercícios militares conjuntos entre as forças sul-coreanas e forças militares dos Estados Unidos. (Relembre a questão no texto do blog Atualidades)

Passado de ocupações e conflitos

A península da Coreia fica no continente asiático, bem perto da Rússia, China e Japão. No final do século XIX, o Japão e a China se enfrentaram para ver quem ocuparia o local – a vitória foi japonesa. Depois, foi a vez de os russos tentarem abocanhar o terreno. Não conseguiram e o Japão ficou  em posse da região de 1910 a 1945, quando terminou a Segunda Guerra Mundial. Para os que não lembram, ele lutou ao lado de Hitler e Mussolini nesse conflito e, com a derrota, perdeu diversos territórios para os adversários.

Em 1948, a península coreana foi dividida em duas zonas de ocupação pelos vencedores da guerra, separadas pela linha do paralelo 38º: uma norte-americana no sul e outra soviética no norte (já estamos falando em Guerra Fria). No mesmo ano, foram criados os dois Estados: Coreia do Norte e Coreia do Sul. A Guerra do Coreia começou em junho de 1950 e seguiu até 1953, quando os dois lados assinaram o armistício (mas sem acordo formal de paz).

Imagem feita pela Nasa por satélite. A Coreia do Norte é o espaço "negro" entre a China e a Coreia do Sul (Fonte: reprodução/tumblr Newsweek)

Imagem feita pela Nasa por satélite. A Coreia do Norte é o espaço “negro” entre a China e a Coreia do Sul (Fonte: reprodução/tumblr Newsweek)

De lá para cá o Sul se desenvolveu e é  hoje uma das principais potências tecnológicas do planeta. Enquanto isso, seus irmãos do Norte continuam como um Estado ditatorial, em que a grande maioria da população é pobre a ponto de passar fome. Ambos os lados são fortemente armados e com exércitos gigantescos. A Coreia do Norte é um país extremamente fechado, ou seja, ninguém entra lá, a não ser com permissão do governo (o que quase nunca acontece). O mais triste é pensar na quantidade de famílias que estão divididas por conta dessas disputas e em como a cultura coreana foi dizimada com esse passado de ocupações e guerras. 

Ninguém sabe se as ameaças de conflito vão ficar apenas na teoria ou se isso vai passar para a prática. A gente torce para que não, né? Mas pera aí, o assunto não termina aqui não! Para saber mais, dê uma olhada nessas reportagens da Aventuras na História:

– Jornalista brasileiro esteve na Coreia do Norte e conta como foi a experiência

– Relembre os conflitos durante a Guerra da Coreia

– Veja uma lista de filmes e documentários para entender a disputa

E, como o foco é o vestibular, faça também um simulado sobre o assunto e teste os seus conhecimentos para as provas!