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É verdade que aprendemos mais errando do que acertando?

A ciência descobriu a porcentagem exata de erro que faz o cérebro aprender melhor – e ela pode surpreender

Por Patrícia Giuffrida 26 jan 2026, 19h00 | Atualizado em 24 fev 2026, 09h53
Gato de desenho animado, com expressão de raiva e fumaça saindo da cabeça, segura um livro aberto com uma das mãos, como se estivesse irritado com o que está lendo.
 (Reddit/Reprodução)
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É errando que se aprende.” Você provavelmente já ouviu essa frase – talvez de um professor ou de alguém tentando consolar você depois de uma prova difícil. Mas será que isso é só um ditado popular ou existe ciência por trás dessa ideia? E vamos ainda além: quanto precisamos errar para aprender melhor? Se errarmos pouco, talvez não haja desafio. Se errarmos demais, a frustração pode vencer.

Afinal, onde está o equilíbrio?

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Nem fácil demais, nem impossível

Pesquisadores da Universidade do Arizona descobriram que o aprendizado real acontece quando somos desafiados na medida certa. Imagine um estudante do 9º ano do Ensino Fundamental assistindo a uma aula de soma e subtração. Fácil demais: não há novidade, não há esforço, não há aprendizado.

Agora imagine esse mesmo estudante em uma aula universitária de física quântica. Difícil demais! Ele provavelmente errará tudo, ficará perdido e pode até desistir antes de começar.

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Entre esses dois extremos existe um ponto ideal: a tarefa não é simples a ponto de entediar, nem complexa a ponto de desmotivar. É ali que o cérebro aprende melhor.

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A Regra dos 85%

Para encontrar esse ponto, os cientistas realizaram experimentos usando machine learning, em que computadores aprendem sozinhos a executar tarefas simples — como classificar padrões ou identificar se números escritos à mão são pares ou ímpares.

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O resultado foi surpreendentemente consistente. O melhor aprendizado aconteceu quando os sistemas acertavam 85% das vezes e erravam 15%. Esse equilíbrio ficou conhecido como a “Regra dos 85%”. Errar um pouco mantém o desafio ativo. Errar demais causa desistência. Acertar sempre deixa tudo automático demais.

Curiosamente, estudos anteriores com animais encontraram proporções semelhantes. E, em humanos, a regra parece funcionar especialmente em tarefas de aprendizagem perceptiva, aquelas em que treinamos o cérebro a reconhecer padrões e respostas.

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E na escola, vale também?

Calma lá: isso não significa que tirar 8,5 é melhor do que 10. Os próprios pesquisadores fazem essa ressalva. Os experimentos foram realizados com tarefas simples, de resposta binária (certo ou errado). Aplicar a Regra dos 85% a algo tão complexo quanto a aprendizagem escolar ainda exige mais estudos.

Mas a descoberta já traz uma lição poderosa: errar não é sinal de incapacidade. É parte natural do processo de aprender. O segredo está em errar o suficiente para crescer, sem errar tanto a ponto de desanimar. Depois dessa pesquisa, talvez possamos atualizar a velha frase: “É errando 15% que se aprende.”

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Estudo
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A ciência descobriu a porcentagem exata de erro que faz o cérebro aprender melhor – e ela pode surpreender

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