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Fisioterapia tem mercado em expansão, embora pague pouco

Em entrevista ao GUIA, fisioterapeuta da Seleção conta sua trajetória e dá dicas para quem quer seguir na profissão

 

Odir é fisioterapeuta da Seleção Odir em ação: pioneirismo na fisioterapia no futebol

Odir em ação: pioneirismo na fisioterapia no futebol (/)

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Recuperar o craque da Seleção de uma lesão que pode tirá-lo da Copa do Mundo. Colocá-lo em condições físicas ideais para a próxima partida do Brasil. Esse cenário desperta atenção e curiosidade em você? Pois esse é o cotidiano do fisioterapeuta Odir de Souza.

Em Curitiba, cidade em que os jogadores e comissão técnica se reuniram para começar a preparação para a Copa do Mundo, Odir conta, com orgulho, que ele foi um dos pioneiros na implementação da fisioterapia nos clubes brasileiros. E não é exagero ressaltar isso.

Foi justamente Odir, em 1994, quem montou o primeiro departamento de fisioterapia do Botafogo, onde ficou até 2003. E antes de sair do alvinegro carioca, ele já estava tendo seus serviços requisitados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF): “não existia nada quanto a fisioterapia. Nós começamos um trabalho no Rio de Janeiro. Eu levava meus aparelhos pessoais para os clubes, inclusive. Primeiro fui para o América e depois para o Botafogo. O trabalho foi tão bem feito que em 2001 cheguei às categorias de base da Seleção. Passei pelo sub-18, sub-20 e, em 2004, cheguei aos profissionais”, lembra.

Quando não está com a Seleção, Odir conta que sua rotina é corrida, mas prazerosa. O fisioterapeuta, além de ter sua clínica particular, no Rio, é coordenador do curso de pós-graduação de Fisioterapia Traumato-Ortopédica da Universidade Castelo Branco (UCB), também no Rio de Janeiro, além de trabalhar em uma clínica psiquiátrica. “Sempre gostei de trabalhar. Comecei cedo nessa vida. Aos 16 anos, para ajudar em casa. Hoje, trabalho de 8 a 9 horas por dia, tirando a segunda-feira, quando trabalho das 8h às 22h. É cansativo, mas no fim vale o esforço”.

E não foi só no trabalho que Odir começou cedo. Com 22 anos, ele se formou em Educação Física na UCB. Quatro anos depois, concluiu o curso de Fisioterapia na Faculdade de Reabilitação da ASCE (FRASCE). Em seguida, pós-graduação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Depois, outra pós, desta vez em Ginástica Médic, também pela Castelo Branco e, por fim, um mestrado, ainda na UCB, em Motricidade Humana.

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Depois de tantos cursos e especializações, ele desenvolveu uma visão ampla e cética sobre um mercado que, segundo o fisioterapeuta, ainda tem muito a crescer. “É cada vez maior o número de pessoas que praticam esportes. Isso aumenta o campo de trabalho. É uma área em evolução. Entretanto, o salário, aqui no Rio, ainda não é satisfatório”, confessa.

“Um recém-formado aceita ganhar cerca de R$ 2 mil, mas ainda é pouco. O segredo é buscar uma boa formação, tentar deixar ela ainda mais completa e buscar a valorização pelo seu conhecimento”, sugere Odir, antes de criticar o nível dos profissionais que estão no mercado atualmente. “Tem muita gente boa, mas, pelo que noto, ainda tem muita gente desnivelada que ocupa cargo que não seria merecido pelo seu conhecimento. Espero que, dentro de algum tempo, com a evolução da Fisioterapia, isso deixe de acontecer”.

Mas e trabalhar na Seleção, paga mais? Que nada. A CBF não paga salário para nenhum dos profissionais convocados, apenas diárias que variam entre US$ 70 e US$ 100. O máximo que se pode faturar é com o título. O prêmio, chamado de bicho entre os boleiros, também é dividido pelos membros da comissão técnica.