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No dia do livro, conheça cinco autores africanos da atualidade

De países distintos, eles exploram em suas obras não só guerras e dificuldades africanas, mas também a riqueza cultural de seus povos.

Chimamanda Ngozi Adichie

 (Flickr / Howard County Library System/Reprodução)

Nascida no estado de Anambra, na Nigéria, Chimamanda se mudou para os Estados Unidos depois de desistir do curso de Medicina e Farmácia na Universidade da Nigéria. Passou pelas universidades Drexel, de Connecticut, Johns Hopkins e finalmente pela Yale, onde recebeu o título de mestre em Artes e Estudos africanos. Chimamanda ganhou destaque e repercussão mundial a partir da publicação de seu primeiro livro em 2003, o Hibisco Roxo. Desde então, publicou mais seis livros, entre ficções que retratam a realidade africana até manifestos sobre feminismo. Foi indicada e vencedora de diversos prêmios literários e, em 2014, foi nomeada uma das 39 autoras mais influentes com menos de 40 anos, no Festival Hay e Rainbow Book Club.

Alain Mabanckou

 (Harald Krichel/Reprodução)

Mabanckou nasceu na República do Congo, mas boa parte da sua formação se deu na França — onde consagrou-se como escritor. Sua literatura, no entanto, não se desprende de suas origens congolesas. Um exemplo é seu último livro publicado, Memórias de Porco Espinho, que recebeu em 2006 o famoso prêmio francês Renaudot. Nele o autor resgata elementos da cultura e imaginário africanos como a fábula, o sobrenatural e a interação com outros elementos da natureza. Alain Mabanckou já recebeu oito renomados prêmios de literatura, e em 2008 traduziu do inglês para o francês a obra de uma outra grande revelação de ascendência africana, Uzodinma Iweala.

Uzodinma Iweala

 (Jummai/Reprodução)

Embora nascido nos Estados Unidos, a herança nigeriana que Iweala herdou dos pais transparece em sua obra. Na verdade, é protagonista dela. Seu primeiro romance, Feras de Lugar Nenhum, foi lançado em 2005 e é resultado da tese apresentada por ele em Harvard. O livro conta a história de um menino africano de um país sem nome, que se vê obrigado a servir em uma guerra que sequer entende depois de perder toda a família. No ano passado, lançou o livro Speak No Evil, que conta a história de um menino americano gay, de origem nigeriana. O livro ainda não tem tradução para o português. Em Harvard, Iweala formou-se em Literatura e Linguagem Inglesa e Americana e recebeu diversos prêmios pelos trabalhos que apresentou no decorrer do curso. Também é graduado em Medicina pela Universidade Columbia.

Scholastique Mukasonga

 (Thibaut De Corday/Reprodução)

Sobrevivente dos massacres que ocorriam em Ruanda desde a década de 1960, Scholastique se mudou para a França em 1974 sem nenhum amigo ou parente: 37 de seus familiares tinham sido assassinados no seu país de origem. Ela assumiu para si, então, a tarefa de guardiã da memória de seu povo dizimado, os tútsis. Além de seu autobiográfico Inyenzi ou les Cafards, publicado como Baratas no Brasil, já lançou também um livro em homenagem a sua mãe, a Mulher de Pés Descalços, onde rememora tanto as tradições e costumes ruandeses como a luta pela sobrevivência de sua família.

Ondjaki

 (Branca Novoneyra/Reprodução)

Ondjaki, como é conhecido o autor Ndalu de Almeida, nasceu em Luanda, capital de Angola, mas não é um nome desconhecido por aqui. Ele já morou no Brasil e recebeu, em 2010, o Prêmio Jabuti na categoria infanto-juvenil com o Avó Dezanove e o Segredo do Soviético. Seu conjunto de obras reúne mais de 25 livros nos mais diversos gêneros: desde romances infantis até contos e poemas. O último é reconhecidamente sua especialidade. Já foi indicado e agraciado com mais de uma dezena de prêmios, entre eles o Prémio Literário José Saramago pelo seu romance Os Transparentes. No livro, a história do homem que vai se tornando invisível tem como pano de fundo uma Angola marcada por mudanças e pela guerra civil.