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‘Positividade tóxica’: como lidar com a pressão de estar bem o tempo todo

Especialistas alertam sobre os perigos de negar alguns sentimentos - mesmo sendo desconfortáveis

Por Juliana Morales Atualizado em 13 out 2021, 13h02 - Publicado em 30 jun 2021, 00h01

Você já recebeu um conselho para deixar os problemas de lado e ser – simplesmente – otimista, sem levar em consideração a tristeza ou preocupação que estava sentindo no momento? Ou acompanha alguém nas redes sociais que diz estar sempre bem porque mantém o pensamento positivo? Se antes já eram comuns, os discursos que pregam a positividade a qualquer custo vêm ganhando força diante do cenário complicado da pandemia.

Assim como muitos outros sentimentos, o otimismo faz bem, mas em excesso pode ser prejudicial. “É diferente ser otimista e se esconder em um otimismo constante. Quando essa busca pela positividade começa a ser uma pressão, ela se torna algo tóxico. Ai vem a ideia da positividade tóxica”, explica o psicólogo Alexander Bez, especialista em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA).

  • O psicólogo diz que, ao negar os aspectos negativos nas nossas vidas, reprimimos alguns sentimentos. “Quando entramos nessa bolha de que tudo tem que ser maravilhoso fica difícil passar e lidar com momentos de tristeza. Isso, mais para frente, pode gerar alguns transtornos maiores como a depressão e a ansiedade”, observa Bez. 

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    A especialista em autoconhecimento e inteligência emocional e CEO do Centro Hoffman, Heloisa Capelas, também ressalta como o compromisso de ficar bem quando as coisas não estão bem causa estresse e mexe com a autoestima. “Se eu vivo a dor, estou errada porque tenho que ser feliz. Se estou feliz, estou errada porque não está doendo. As pessoas se sentem más e ruins por isso”. 

    Além disso, é muito mais difícil alguém pedir ajuda para amigos, familiares e profissionais quando fingem que não estão precisando lidar com um sofrimento.

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    Mas como preservar o otimismo de uma maneira saudável?

    O primeiro ponto abordado pelos dois especialistas é não negar acontecimentos, situações e sentimentos desconfortáveis. Faz parte do processo de amadurecimento ter consciência das dificuldades e buscar maneiras de lidar com elas.

    Bez indica que uma das principais formas de trabalhar sentimentos desagradáveis é falando sobre, seja realizando sessões de terapia, ou conversando com pessoas próximas e de confiança. “Para pessoas que ainda possuem uma grande barreira para começar a falar sobre esses sentimentos, é interessante começar a escrever e colocá-los para fora. Esse é um ótimo exercício para refletir e também ganhar mais autoconhecimento sobre o que estamos pensando”, dá a dica.

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    É importante trabalhar isso já que os momentos difíceis aparecem em todas fases da vida, em diferentes escalas. Viver o luto de perder alguém que ama, sobreviver em uma pandemia, passar por um divórcio, enfrentar problema de saúde ou financeiro, e até se preparar para concorrer um vestibular, fase que tanto falamos aqui no GUIA. “É um momento de muita pressão na vida de muitos jovens e há a criação de um ambiente de garantir que a pessoa esteja sempre animada e pronta, o que pode por vezes acabar atrapalhando nos estudos”, diz o psicólogo. 

    Heloisa alerta para o perigo de cair no vitimismo nesses momentos. “Tudo que você está sentindo é justo, é seu e é legítimo. Então você acolhe, aprende e busca melhorar. Nós só podemos viver aquilo que é possível viver. Felicidade é, justamente, aceitar esse possível”.

    Com bom-humor, ela completa: “Quando vier alguém dizendo ‘não fica triste, bola para frente’, você diz ‘ok, obrigada pelo conselho, a hora que der eu vou chutar a bola para frente, agora eu estou com câimbra”.

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