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Você sabe o que é ciberativismo?

Por meio da internet, principalmente das redes sociais, pessoas se mobilizam em prol de causas ao redor do mundo

Panfletos e paralisações de ruas não são mais as únicas maneiras de demonstrar a insatisfação da sociedade ou espalhar informações sobre algo que incomode. Provavelmente, você já se envolveu com alguma causa que tenha visto na internet. Seja por meio de uma petição online, uma hashtag contra algo que não concorda ou mesmo ao se organizar para um protesto marcado em uma rede social, a ferramenta foi uma aliada para a manifestação.

Esse tipo de movimentação é chamado de ciberativismo. Milhares de pessoas se reúnem em grandes grupos ou eventos nas redes sociais e se organizam em prol do que acreditam ser o melhor para a sociedade sem sair de casa.

As formas de atuação podem variar, mas a ideia é buscar apoio, debater e trocar informações, organizar e mobilizar indivíduos para ações, seja em relação a causas políticas, culturais, sociais ou ambientais. A importância de atitudes concretas, em espaços públicos, por exemplo, não é deixada de lado, então o ciberativismo também busca efeitos fora da rede. 

Uma das grandes vantagens dessa forma de manifestação é que ela é considerada mais acessível, pois pode ser praticada por qualquer um que consiga acessar a internet. Com o ciberativismo, fica muito mais fácil defender uma causa. 

Exemplos 

Em 2009, milhares de pessoas foram às ruas no Irã para protestar contra a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad, sob suspeitas de fraude. A imprensa local estava a favor do presidente e jornalistas estrangeiros foram proibidos de permanecer no país. 

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Com isso, os iranianos utilizaram o Twitter e o YouTube para escancarar para o mundo o que realmente estava acontecendo, mostrando os confrontos com a polícia iraniana para a comunidade internacional. O evento foi um prenúncio da década seguinte.

Durante a Primavera Árabe, em 2011, milhares de pessoas utilizaram as redes sociais para organizar protestos contra diversos governos autoritários do Oriente Médio. Com a imprensa sofrendo censura, as redes também serviram para divulgar ao mundo o que estava acontecendo naqueles países.

No Brasil

No Brasil também é possível notar casos em que o ciberativismo esteve altamente ligado com a organização social do país. Os protestos de junho de 2013, por exemplo, criticavam, em um primeiro momento, o aumento de 20 centavos da passagem de ônibus. Pelas redes sociais, pessoas envolvidas com o Movimento Passe Livre começaram a mobilizar milhares de pessoas para protestar contra a mudança.

Mas, com o tempo, outras insatisfações nacionais vieram à tona e os brasileiros saiam às ruas para criticar a corrupção, os gastos com a Copa do Mundo e os diversos problemas nos âmbitos da saúde, educação, da segurança etc.. Os próprios manifestantes alimentavam as redes sociais com vídeos que mostravam os protestos, as reivindicações e a violenta repressão policial que ocorreu em muitos casos.

Em 2015, em meio às manifestações que pediam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, as redes sociais também foram um forte motor para o resultado no cenário político. Em 2018, os caminhoneiros conseguiram se organizar em eventos de redes sociais e correntes em aplicativos de conversas para mobilizar uma greve que parou o país.