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Carta argumentativa: saiba tudo sobre o gênero textual

Confira os elementos que não devem ficar de fora e quais vestibulares podem cobrar esse tipo de texto

Por Julia Di Spagna 22 mar 2021, 19h01

Durante boa parte da vida escolar, o gênero textual mais explorado nas aulas de redação é a dissertação. Foco de Enem e de grandes vestibulares, ela tem suas peculiaridades e exige treino para alcançar uma boa nota. Mas também é importante dominar outros gêneros que podem ser cobrados em vestibulares que fogem do tradicional texto dissertativo-argumentativo, como a Unicamp.

Pensando nisso, o GUIA começa uma série de matérias sobre outros tipos de texto para você se sentir mais confiante caso se depare com algo diferente em uma prova da escola ou nos vestibulares. E o primeiro gênero que vamos abordar é a carta argumentativa.

Gabrielle Cavalin, coordenadora de redação do Curso Poliedro, elencou alguns elementos fundamentais que caracterizam o gênero:

  • cabeçalho, que indica local e data de escrita; 
  • o vocativo, que deixa evidente a quem se dirige o texto; 
  • a apresentação no corpo do texto do(s) motivo(s) para a escrita da carta e dos argumentos que sustentam tal motivação; 
  • saudação final/despedida 
  • e, por fim, a assinatura de quem escreve (indivíduo, grupo ou Instituição).   

“Nesse gênero não pode faltar uma sequência textual de argumentação, ou seja, a defesa de um ponto de vista. Para que o estudante não descaracterize o gênero, é importante o trabalho de construção de imagem de quem escreve e para quem se escreve”, diz a coordenadora. Ou seja, um alerta que ela faz, principalmente aos vestibulandos, muito treinados para execução da estrutura da dissertação argumentativa, é tomar cuidado para não ignorar o pressuposto mais importante da carta: o processo de interlocução. Quem escreve e para quem se dirige o texto é elemento fundamental para escolha da formalidade, dos argumentos e da linguagem empregada neste gênero.  

E lembre-se: quando a proposta de redação estabelece um destinatário definido, essa interlocução deve estar presente ao longo de todo o texto (e não apenas no início) e o tratamento a esse interlocutor deve ser adequado à eventual posição que ocupe. 

Por isso, também é necessário prestar muita atenção aos comandos da proposta, segundo Wellington Borges Costa, coordenador de Redação do Curso Etapa, porque os vestibulares que solicitam a simulação de variados gêneros textuais costumam definir alguns critérios envolvidos no contexto. Por exemplo:

  • Quem é o autor da carta? Há alguma instrução sobre assinatura?
  • A quem a carta se destina?
  • É uma carta com interlocutor definido, específico ou é uma carta à seção de leitores de um veículo de imprensa ou ainda é uma carta aberta reivindicatória a autoridades?

Ele explica que, antes de tudo, é necessário compreender cada um desses comandos e procurar cumpri-los – muitas vezes, exercitando a criatividade. “O vestibular propõe uma espécie de ‘jogo de faz de conta’ e o estudante deve demonstrar que entendeu e aceitou a ‘brincadeira’”, diz.

  • E não se esqueça do conteúdo argumentativo. Entenda o debate, assuma um posicionamento claramente definido a respeito e apresente argumentos consistentes para sustentar esse ponto de vista.

    Vestibulares

    Como já explicamos, o gênero mais tradicional é a dissertação. Mas alguns vestibulares preferem ir por outro caminho. A Unicamp, por exemplo, cobrou nos últimos anos textos diferentes, como um artigo de opinião, um roteiro de podcast, um texto para uma palestra, uma resenha sobre uma fábula, entre outros

    “A carta compunha obrigatoriamente a possibilidade de escrita de texto junto com uma dissertação ou uma narração na prova da Unicamp até 2010. Com a mudança do perfil da prova para exigência de escrita de diferentes gêneros não previamente estipulados, esse gênero apareceu novamente em 2013, 2014, 2015 e 2017”, explica Cavallin. 

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    Costa afirma que, além da Unicamp, a criatividade na composição de diversos gêneros textuais é cobrada nos vestibulares da Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e em vários processos seletivos de instituições de ensino superior do Paraná, como Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

    Dicas para uma boa carta argumentativa

    Clareza

    Segundo os especialistas, ao escrever uma carta argumentativa, o estudante deve se atentar à clareza da intenção comunicativa, ou seja, se o que defenderá no texto está claro para o leitor. 

    Argumentação

    Além disso, é preciso realizar uma boa seleção de argumentos para que de fato haja um processo de convencimento do interlocutor a respeito do que se defende. Para isso, acompanhe os debates públicos contemporâneos e, de forma criativa, tente assumir diferentes personagens e personalidades que permitam exercitar a argumentação em defesa de variados pontos de vista. 

    Primeira pessoa

    Outra dica importante é a manutenção das marcas de primeira pessoa (seja do plural ou do singular, de acordo com quem é o autor da carta) que podem ser mantidas por meio dos verbos, pronomes e expressões de valor vocativo, além da própria seleção do conteúdo dos argumentos.  

    Cuidado com clichês

    Por fim, é importante evitar expressões cristalizadas que engessam o texto e não se adequam à situação comunicativa, como “venho por meio desta”. 

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