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Carta de apresentação: veja faculdades brasileiras que já aderiram à ideia

Mais comum em universidades estrangeiras, as cartas estão começando a fazer sucesso nos processos seletivos por aqui. Aprenda como escrever uma!

Por Taís Ilhéu - 24 jun 2020, 17h37

Talvez você já tenha ouvido que o processo seletivo para ingressar em universidades estrangeiras é bem diferente dos vestibulares tradicionais que temos por aqui. Algumas delas, é claro, também consideram a nota em alguma prova, como o Baccalauréat, na França, ou o SAT, nos Estados Unidos, que correspondem ao nosso Enem.

Mas as melhores faculdades buscam selecionar seus estudantes não só pelas notas, como também pelo “conjunto da obra”. Por isso, esperam que os candidatos tenham realizado ao longo de suas vidas atividades extracurriculares, se envolvido em projetos sociais e, principalmente, que provem o quanto querem estudar na instituição e o quanto ela também tem a ganhar com o ingresso deles. Uma das maneiras de expor tudo isso no processo seletivo é por meio da carta de apresentação

No Brasil, as cartas de apresentação são mais famosas por serem requisitadas em vagas de emprego ou estágio – ou, ainda, em concursos para pós-graduação. Às vezes, aparecem também com os nomes de carta de motivação ou carta de intenção. Mas se você é apenas um vestibulando focado em ingressar na faculdade, sem perspectivas próximas de estagiar, estudar no exterior e menos ainda começar um mestrado, não tem por que se preocupar com essa tal carta de motivação agora, certo?

Bem, talvez valha reconsiderar. Na esteira das universidades estrangeiras, muitas instituições de ensino brasileiras estão começando a migrar para um tipo de processo seletivo mais abrangente, que enxergue seus potenciais alunos para além das notas. Por meio das cartas, “seu histórico de realizações, seus gostos, ideias e interesses, sua visão de futuro e engajamento social” também são avaliados, como explica Sandra Sanchez, da consultoria MBA Empresarial. 

A empresa oferece um treinamento específico para os alunos que prestarão o vestibular para o curso de Administração na Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), parte da Fundação Getúlio Vargas. A FGV é uma das instituições mais prestigiadas da área e, há quatro anos, a carta de motivação e um exame oral passaram a fazer parte da segunda etapa de seu processo seletivo para alguns cursos. 

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Como escrever uma carta de apresentação?

Sandra explica que, no caso do vestibular da FGV Eaesp, o candidato deve escrever um carta apresentando os motivos pelos quais quer estudar Administração. Nela, ele pode citar algumas informações que tradicionalmente são incluídas em cartas de motivação como “sua trajetória, seus interesses em termos de disciplinas e áreas de conhecimento, o tipo de trabalho que pretende realizar e que impacto social deseja ter com a futura profissão”, instrui a consultora. Sempre atento, é claro, para não fugir da proposta inicial da carta de justificar por que você quer aquele curso. 

Apesar de algumas instituições especificarem quais informações são essenciais ou de exigirem um foco central para o texto (como sua trajetória ou então a escolha do curso) em geral uma carta de apresentação deve conter os seguintes pontos:

  • Qual o seu objetivo final? Explique, de forma resumida, onde quer chegar acadêmica e profissionalmente com a escolha desta faculdade e profissão
  • Por que esta instituição e este curso são adequados para você?
  • O que a universidade ganha com a sua admissão? (aqui, vale explorar um pouco de sua trajetória e os projetos que você já realizou, desde que acrescentem algo ao seu argumento e façam sentido com o conjunto de informações da carta).
  • Conclua retomando seu objetivo e conectando com as outras informações expostas ao longo da carta, mostrando assim como essa universidade e curso o ajudarão a chegar até lá!

Uma possível tendência

Sandra Sanchez conta que, além da FGV, o Insper e a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, ambas em São Paulo (SP), já adotam também a carta de motivação em seus processos seletivos. A tendência não para nas instituições particulares: a Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat) já adotou a carta de intenção em sua Seleção Especial, criada para preencher as vagas remanescentes em alguns cursos. 

Além disso, outros fatores podem acelerar a adesão à carta nos processos seletivos. Ao menos em tempos de pandemia. Um exemplo é a PUC-Campinas, que irá adotá-la em uma das modalidades do vestibular de inverno deste ano. Impossibilitada de aplicar as provas presenciais em função da pandemia do coronavírus, a universidade permitirá que os candidatos que não querem concorrer por meio da nota do Enem tentem uma vaga apresentando a carta de apresentação. 

No site do vestibular, ela explica que os candidatos devem “descrever sua trajetória até o momento (conhecimentos, habilidades, experiências e atitudes), os motivos da escolha do seu curso e as suas contribuições como futuro profissional para a sociedade”. 

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