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Mais pop e menos cálculos: professores comentam a Fuvest

Anglo, Oficina do Estudante e Etapa comentam o exame realizado na pandemia

Por Juliana Morales Atualizado em 11 jan 2021, 00h13 - Publicado em 10 jan 2021, 22h23

No sábado, véspera da prova, Belmira Bueno, diretora executiva da Fuvest, informou, em entrevista ao telejornal SPTV, da Globo, que as bancas foram sensíveis à situação vivenciada pelos candidatos em 2020. A fala, sem muitos detalhes, gerou burburinho e deixou estudantes tensos com possíveis alterações. Na prática, entretanto, especialistas afirmam que não foi possível perceber uma mudança significativa na avaliação deste domingo.

“Fuvest foi Fuvest. Uma prova tradicional, conteudista, que não teve grandes surpresas realmente”, afirma Daniel Cecílio, diretor do Curso Pré-Vestibular Oficina do Estudante. Ele ressalta que a prova foi equilibrada, com assuntos bem distribuídos.

Edmilson Motta, coordenador Geral do Grupo Etapa, contou que, em geral, a Fuvest manteve a dificuldade vista em anos anteriores. Ele explica que, por ter bancas bem independentes, existe uma variação de dificuldade de uma matéria para outra. “Matemática esse ano pareceu mais simples e acessível, algumas questões com enunciados bem diretos, que não precisavam de muitos cálculos para resolução. Português, pelo contrário, foi uma prova que se mostrou mais difícil do que de costume nesse vestibular”, analisa.

Edmilson observa que a prova exigiu menos cálculos em Química, Física e Matemática como de costume – talvez pelo contexto atual de pandemia- , além disso, os enunciados foram um pouco mais diretos.

Daniel Perry, diretor do Curso Anglo, elogiou a Fuvest por cobrar questões bastante claras e sem dubiedade, entregando, dessa maneira, uma prova acessível. E ainda, apresentou um nível de qualidade muito elevado, semelhante aos anos anteriores. “De uma forma geral, foi um exame de alto nível que indica o tipo de aluno que a Fuvest deseja que ingresse na USP, um aluno bem preparado, atento, com conhecimento sólido”.

Diferentemente da Unicamp, a Fuvest fugiu de temas atuais e polêmicos, como questões do governo Bolsonaro, e deixou de fora até mesmo a abordagem da covid-19, sem nenhuma questão sobre a pandemia. A prova manteve características como a interdisciplinaridade: uma das questões, por exemplo, exigiu conhecimentos de Literatura e Química, ao trazer um poema do João Cabral, com uma abordagem sobre açúcar. “Outro ponto tradicional que se manteve forte foi a exigência do aluno conhecer diversas linguagens e saber analisar gráficos e tabelas também”, acrescenta Edmilson.

  • A análise por disciplina:

    Português e Literatura

    A prova de Português chamou atenção por trazer questões de gramática, o que não é bem diferente pensando no modelo tradicional dessa matéria na Fuvest. Foi uma prova exigente,com nível de dificuldade elevado. Tempos de conjugação verbal e função sintática foram alguns dos assuntos cobrados.

    As questões de Literatura exigia bastante leitura e reflexão. Das nove obras da lista de leitura obrigatória, seis delas já caíram na primeira fase. Ficaram de fora os livros Poemas Escolhidos do Gregório de Matos, A Relíquia de Eça de Queiroz e Campo Geral, de Guimarães Rosa. “Não é uma regra, mas é legal ficar atento que as outras três obras podem aparecer na segunda fase”, alerta Marcio Guedes, coordenador do Curso Poliedro.

    Inglês

    A prova de Inglês apresentou um nível de dificuldade de médio para difícil. Como de costume, cobrou bastante entendimento de texto, algo clássico. O que foi novidade foi uma questão que trazia a uma letra de música.

    Biologia

    A avaliação de Biologia foi tradicional e conteudista, com média dificuldade. As questões eram claras, “mas a contextualização que havia nos enunciados não ajudava muito a responder as questões”, explica Perry. Em relação a temas abordados, o destaque foi ecologia, que compôs 40% da prova.

    “Os professores sentiram falta de alguns assuntos como a fisiologia e embriologia. Também fica a dica para ficar atento para a segunda fase”, aponta Marcio.

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    Física

    Física trouxe questões trabalhosa com enunciados precisos. O candidato precisava ter uma boa base, conhecer conceitos e desenvolver cálculos para resolvê-las. O tema que mais apareceu foi mecânica.

    História

    “Foi uma prova bem tradicional, pouco interpretativa e muito factual – o que a transformou em uma avaliação, de certa forma, muito tradicional comparada a outros vestibulares, que exigem uma reflexão maior do candidato na hora de resolver”, observa Perry da parte de História.

    Uma novidade foi a predominância de questões sobre História do Brasil, já que a tradição é que na Fuvest predomine mais História Geral. Mulher na Grécia Antiga, fascismo, gripe espanhola e escravidão indígena foram alguns dos temas que apareceram.

    Geografia

    Segundo Marcio, foi uma Fuvest clássica em termos de Geografia, sem muitas surpresas e conteúdos tradicionais. Além disso, apresentou bons mapas, imagens e textos bem escritos.

    Os temas abordados foram abrangentes: cartografia, questão econômica, recursos naturais, terremotos, dinâmica geográfica dos EUA. Perry chama a atenção para a falta de questões referente a temas como China, demografia e pandemia.

    Matemática

    Matemática foi uma prova acessível, com questões diretas e enunciados curtos. Teve temas clássicos como geometria Plana, Aritmética dos números inteiros, logaritimos, funções, geometria analítica, semelhança de triângulos e geometria do globo terrestre. Surpreendeu, de certa forma, por trazer uma dificuldade de média para fácil.

    Química

    Perry afirma que Química foi destaque na área de ciências da natureza por ter sido uma prova bastante interpretativa. “Foi rápida de ser solucionada, com predominância de assuntos do primeiro e segundo ano do Ensino Médio. E só havia uma questão que era necessário fazer contas”, conta.

     

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