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“Odeio mente vazia”, diz aprovada em primeiro lugar de Medicina da USP

Anna Laura Baptista, de 17 anos, se inspirou na trajetória da mãe e contou com uma rotina regrada de estudos

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 fev 2026, 19h00 • Atualizado em 9 fev 2026, 13h31
Montagem de duas fotos de uma jovem mulher de cabelos longos pretos e óculos, sorrindo. À esquerda, ela usa camiseta cinza em um restaurante com mesa xadrez vermelha e verde, apoiando o rosto na mão esquerda. À direita, ela veste jaleco branco médico com estetoscópio sobre uma camiseta azul com estampa “Eu sou São Paulo”, em fundo claro branco.
Anna Laura Baptista, estudante aprovada em 1º lugar no curso de Medicina da USP (Anna Laura Baptista/Arquivo pessoal)
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  • Com apenas 17 anos, direto do terceiro ano do Ensino Médio e sem ter feito cursinho. Essa é a descrição do nome que ocupa o 1º lugar da lista de aprovados no curso de Medicina na Universidade de São Paulo (USP). A jovem é a soteropolitana Anna Laura Baptista, que ainda está assimilando o fato de que foi a primeira colocada no curso mais concorrido da maior universidade da América Latina — em que a disputa chega a 90 candidatas por vaga.

    Para não dizer que ela não fez cursinho, Anna Laura participou de um intensivo de duas semanas para a Fuvest, oferecido pela própria escola onde estudou, o Colégio São Paulo, associado ao Poliedro Sistema de Ensino. A jovem conta que não vê segredo na sua jornada até a aprovação, apenas uma rotina muito bem organizada dentro da própria escola.

    “Eu era a aluna que enchia o saco dos professores, tirava dúvida na hora do intervalo, fazia todas as atividades que tinha que fazer, participava de olimpíada, exercício… eu não suporto ficar sem fazer nada”, conta. A futura uspiana admite: ama estudar.

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    Gosto pelos estudos

    Ao GUIA DO ESTUDANTE, Anna Laura conta que a escolha por Medicina não foi um sonho de infância ou algo que sempre desejou. Antes, chegou a cogitar Biologia, Engenharia Química e até Direito, reconhecendo que sempre teve uma preferência pele lado das ciências da natureza. “Eu já pensei em fazer de tudo, mas Biologia e Química sempre estavam ali. Quando chegaram os vestibulares, eu pensei: tenho que fazer alguma coisa nesse sentido, e optei por Medicina”, afirma.

    Filha de dois engenheiros civis, a jovem foi criada em um ambiente que sempre valorizou a educação, crescendo cercada de incentivos para ler e apoio para estudar. A mãe, primeira universitária da família materna, lhe serviu de exemplo e inspiração desde criança. “Eles sempre me incentivaram bastante, sou muito grata”, declara. “Minha mãe é a primeira da família dela a fazer faculdade, então é muito importante para mim seguir esse exemplo”.

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    Acordava de madrugada

    Decidido o curso, a preparação para ser aprovada em uma universidade pública começou já no 2º ano do Ensino Médio, quando a proximidade dos vestibulares começou a deixar os planos mais concretos. Mesmo que não tivesse um desejo específico de sair de Salvador, em 2024, ela prestou a prova da Unicamp como treineira, “para ver como era”, e confessa que saiu animada. A universidade de Campinas aplica provas na capital baiana.

    “Eu achei a prova muito legal, muito divertida”, brinca. Ao ver depois que tinha ficado entre as melhores colocações, percebeu que poderia ir mais longe. “Eu comecei a pensar: acho que eu deveria tentar, tenho chance”, se referindo a possibilidade de ser aprovada em uma universidade de São Paulo.

    Assim, no último ano do Médio, a estratégia foi confiar no cronograma da escola, que já é conhecida na região pelo grande número de aprovados nas melhores universidades, e potencializar o que já recebia em sala. Ela assistia às aulas, revisava em casa e usava técnicas de memorização, como flashcards. “Eu sou meio ruim de gravar coisa, gravo e esqueço. O flashcard não deixa você esquecer, ele mostra de novo, de novo, até você não esquecer mais.”

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    Rotina seguia o seu próprio ritmo

    A rotina era puxada, mas planejada para caber no seu ritmo. Em dias de turno integral, Anna Laura chegava em casa esgotada e logo já partia para a cama. “Eu dormia cedo, umas 20h ou 21h, e acordava 4h30 para estudar antes das aulas”, conta. Nos outros dias, aproveitava as tardes livres para fazer listas de exercícios e revisão, sempre com espaço para adaptar a carga de estudos ao cansaço.

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    “Eu acho importante ter uma rotina boa, mas adaptá-la para a sua vida. Vejo muita gente pegando rotina pronta, e às vezes você simplesmente está cansado, tem que realocar para outro momento”, afirma. Dormir bem, inclusive, era uma de suas grandes prioridades. “Se você não dorme direito, não adianta estudar tudo, porque não fixa.”

    Outro pilar de sua trajetória até a aprovação foi o hábito de ensinar o que havia aprendido. Durante a pandemia, ela e os amigos criaram uma dinâmica de estudo coletivo. “A gente estudava e ia se ensinando para se ajudar. Antes de prova, cada um ensinava o que mais sabia”, lembra. “Eu acho isso muito bom, ajuda a ficar na cabeça. Quando você fala para alguém, o cérebro acha que é importante.” Ela também chegava a explicar para si mesma, falando sozinha para testar se realmente dominava um conteúdo.

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    “Vai ser difícil, mas bora lá”

    Quando a lista da Fuvest saiu e a jovem viu seu nome no topo da ranking, não soube reagir. “Eu não sabia nem como olhava a classificação direito. Demorei um pouco para entender”, conta. O site instável fez com que ela praticamente desistisse de checar o resultado. “Foi meu pai que olhou a lista. Ele começou a me gritar da sala, estava todo tremendo”, lembra. A sua orientadora do colégio até ligou na USP para checar a veracidade da informação. A mãe, paulista, também se emocionou com a possibilidade de ver a filha estudar na cidade onde morou.

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    “Eu acho que estou em choque ainda. A ficha ainda não caiu”, afirma. A mudança para São Paulo, a vida longe dos pais e a rotina intensa da graduação a deixam apreensiva, mas longe de ser algo paralisante. “Vai ser tudo muito diferente: outra faculdade, outro estado, outra cidade, sem meus pais. Eu acho que vai ser difícil, mas bora lá”, resume.

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    Para quem vai começar os estudos para o vestibular agora, ela reforça o que funcionou consigo mesma: “Flashcards, ensinar para os outros ou falar sozinho, ter uma rotina boa e adaptada. E não ficar com a mente vazia; eu prefiro ficar estudando. Não sei o que eu ia fazer se ficasse sem fazer nada”, conclui.

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    Universidades
    “Odeio mente vazia”, diz aprovada em primeiro lugar de Medicina da USP
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