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Segundo dia da Fuvest tem provas complexas e bem contextualizadas

Algumas disciplinas apresentaram questões sofisticadas, que exigiam o conhecimento de conteúdos tradicionais e de atualidades

Por Redação 7 jan 2020, 06h36

Nesta segunda (6), os estudantes que concorrem a uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) realizaram o segundo dia de provas da Fuvest 2020. No total, cada candidato precisou resolver 12 questões de diferentes disciplinas, que variavam de acordo com a carreira escolhida. 

Segundo Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, a prova apresentou, como em anos anteriores, questões com alto nível e bem exigentes – destinadas a selecionar os melhores candidatos.

  • No geral, ele ressalta o esforço da banca em aproximar a realidade contemporânea a conteúdos relevantes presentes na grade do Ensino Médio. “Se essa já era uma tendência clara de provas como a da Unicamp e em alguns casos da própria Fuvest na primeira fase, não era a tônica da prova de conhecimentos específicos da segunda fase”, diz.

    Para Daniel Perry, diretor do Curso Anglo, a prova foi bem elaborada, técnica, com enunciados claros, temas relevantes e com nível médio de dificuldade. Nesse último quesito, ele destaca História e Biologia como as matérias mais difíceis.

    Confira qual a opinião dos especialistas sobre cada disciplina: 

    Matemática

    “A prova de Matemática foi tradicional, conteudista e acabou privilegiando os estudantes que possuem maior traquejo algébrico”, afirma Fernando da Espiritu Santo, gerente de inteligência educacional e avaliações do Poliedro. 

    Segundo ele, a prova manteve o padrão ao cobrar na segunda fase muitos conteúdos que não foram explorados na primeira, como combinatória com probabilidade, funções e números complexos. 

    Para Tasinafo, a prova não conseguiu fazer boas contextualizações, pois, diferentemente do que ocorreu em outras matérias, houve uma certa dificuldade da banca em aproximar a disciplina da realidade dos estudantes.

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    Física

    “Física teve uma boa distribuição dos temas das questões. Foi também uma prova precisa e com alguns enunciados um pouco longos, que dariam trabalho ao candidato”, afirma Perry.

    Para Fernando da Espiritu Santo, o destaque vai para a apresentação de questões clássicas da Física, mas com paralelos e aplicações no cotidiano dos candidatos.

    Química

    A prova de Química foi classificada como uma prova bem analítica e trabalhosa. Em uma das questões, por exemplo, havia a necessidade de aplicar a Matemática de uma forma um pouco mais cuidadosa. 

  • Biologia

    Para Perry, Biologia se destaca pelo nível de exigência e por fugir da tradição. “A prova foi bastante difícil, detalhista e apresentou três questões de Ecologia. Essa quantidade de perguntas sobre o mesmo tema não é algo comum tratando-se da Fuvest”, afirma. 

    História

    “A Fuvest manteve o padrão dos anos anteriores na prova de História de sempre ter uma questão um pouco mais específica sobre a história de São Paulo”, explica Fernando da Espiritu Santo.

    Segundo o especialista, a prova teve um grau de dificuldade elevado, cobrando que o estudante conhecesse de fato os conteúdos dessa disciplina. Aqui, ter decorado certos temas sem entendê-los não teria resultado. “Foi uma prova um pouco mais conteudista, mas que certamente os alunos bem preparados conseguiram ter um bom desempenho”, diz.

    Geografia

    A prova de geografia da Fuvest foi considerada por Tasinafo uma das mais atuais e contextualizados desta safra de vestibulares. “A primeira questão, por exemplo, parte do aclamado seriado Chernobyl e termina com a pergunta sobre protecionismo e a guerra comercial entre EUA e China (um dos temas mais importantes das relações econômicas e diplomáticas recentes)”, diz. 

    Ele destaca ainda as questões sobre demografia, o fator previdenciário, reservas indígenas (áreas demarcadas) e exploração ambiental. “É um assunto polêmico, sobretudo se consideramos a posição contrária às demarcações do atual governo”, conclui.

    Segundo Fernando da Espiritu Santo, o aluno atento aos acontecimentos do ano ia conseguir um bom desempenho na prova. “Não basta só estudar os conteúdos tradicionais, mas também é necessário estar antenado em tudo que está acontecendo. A Fuvest está se diferenciando e aumentando o grau de dificuldade nesse sentido”, diz.

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