Guia do Estudante

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A profissão do engenheiro de petróleo é desvalorizada com as oscilações do mercado?

Malú Damázio | 12/02/2015

A dúvida de hoje foi enviada pela leitora Amanda Muniz, que quer se tornar uma engenheira de petróleo, mas tem medo que a profissão se desvalorize com as atuais oscilações econômicas e políticas no setor petrolífero. O profissional da Engenharia de Petróleo é responsável por desenvolver técnicas de exploração, produção e comercialização de petróleo – seja ele refinado ou do pré-sal – e gás natural. Plataformas marítimas, refinarias e petroquímicas são seus principais campos de atuação.

“Boa tarde! Durante os dois últimos anos tinha certeza que cursaria Engenharia de Petróleo, porém, com a atual crise da Petrobras e consequente redução do preço do barril de petróleo, me senti insegura para seguir essa carreira. Gostaria de saber quais as perspectivas dessa profissão para o futuro e também se o engenheiro de petróleo será desvalorizado diante da crise.”

(Imagem: Thinkstock)

O engenheiro de petróleo é um profissional que vem sendo muito requisitado pela indústria petrolífera, principalmente, a partir dos anos 2000 – época em que o preço do barril de petróleo passou por uma grande alta no mercado mundial e o quadro de profissionais ainda era bastante enxuto. As oportunidades de trabalho no mercado brasileiro continuaram a crescer com a descoberta das reservas de pré-sal, encontradas abaixo do solo marinho. Hoje, o valor do petróleo oscila entre cerca de US$45 e US$60, por barril, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

>> Saiba mais sobre a carreira de Engenharia de Petróleo

Para esclarecer a questão, o Guia do Estudante conversou com Adolfo Piume, professor do curso de Engenharia de Petróleo da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), primeira instituição a oferecer a graduação no país. Adolfo explica que o mercado petrolífero está em constante oscilação e passa por altos e baixos, de acordo com a própria economia mundial. Entretanto, ele destaca que a escolha da carreira não deve ser norteada por uma situação econômica momentânea, mas, sim, “precisa levar em conta aptidões e interesses, aquilo que você leva jeito e gosta de fazer”. Afinal, o setor petrolífero passará ainda por crises e também por ciclos favoráveis, como esclarece o professor.

Confira seu depoimento!

Adolfo Piume, professor do curso de Engenharia de Petróleo da UENF:

“Ei, Amanda! O engenheiro de petróleo trabalha tanto nas operadoras, as empresas produtoras de petróleo, como nas empresas que prestam serviços especializados em determinadas etapas da exploração e produção de petróleo. Dentro das operadoras, as atividades podem ser tão distintas como programar e fiscalizar as atividades de perfuração e completação de poços, coordenar as atividades de produção de óleo e gás e desenvolver os estudos dos reservatórios produtores de petróleo. Isso implica numa formação bastante diversificada durante o ciclo profissional do curso.

Não existe profissão que esteja imune a crises de mercado. Há vinte anos o preço do barril de petróleo estava baixo, a Petrobras ficou alguns anos sem ampliar seus quadros. No início do século, com a recuperação dos preços do petróleo, as universidades simplesmente não davam conta de formar os profissionais necessários para abastecer as empresas do ramo petrolífero, tanto as operadoras como as prestadoras de serviço. O barril ultrapassou a barreira de 150 dólares, e parecia que dificilmente voltaria a patamares inferiores a 100. Mas como a economia vive altos e baixos, agora o preço voltou a cair. E o que vai acontecer nos próximos anos?

A escolha da carreira, na minha opinião, deve levar em conta as suas aptidões e interesses, aquilo que você leva jeito e gosta de fazer. Tomar uma decisão baseada numa fotografia do mercado de trabalho, ou considerando o momento difícil que uma empresa está passando não me parece a melhor opção, pois você vai passar pelo menos oito horas por dia, seis dias por semana, onze meses por ano por mais de trinta anos nessa atividade. É lógico que você pode começar um curso agora e depois ver que ele não tem nada a ver com você e resolver mudar, mas isso deve ocorrer em função das suas habilidades e não devido aos humores do mercado.

Na hora de escolher a carreira, busque informações com profissionais da área, visite universidades que oferecem esse curso e veja as disciplinas que fazem parte da grade curricular. Se você acha que esse é o curso certo, não se preocupe com uma condição momentânea de mercado, pois, com certeza, entre o início da sua faculdade e a sua aposentadoria, sua carreira irá passar por muitas e muitas crises, e também muitos ciclos favoráveis!

Boa sorte na escolha da profissão, e venha nos visitar no Laboratório de Engenharia e Exploração de Petróleo (Lenep) para conhecer o nosso curso de Engenharia de Petróleo!”

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5 carreiras de futuro no Brasil (por causa do pré-sal)

Amanda Previdelli | 30/10/2013

petroleo

 

O ramo de exploração de petróleo já oferece grande mercado de trabalho no país, mas com a exploração do Campo de Libra (uma das maiores reservas de pré-sal), algumas carreiras vão despontar ainda mais.

A EXAME.com fez um levantamento de quais são os profissionais que serão mais procurados pelo setor nos próximos anos. Confira:

1. Geólogos
2. Geofísicos
3. Petrofísicos
4. Engenheiro de perfuração
5. Gerentes de perfuração
6. Gerente de contratos
7. Gerente de projetos
8. Gerente de engenharia
9. Gerente de operação
10. Gerente de plataforma
11. Oficiais de Náutica

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Engenheiro da Petrobras dá dicas sobre o curso e a carreira de Engenharia de Petróleo

Carolina Vellei | 19/06/2012

Os pais de Luiz Alberto Guerra sempre o estimularam a seguir seu sonho: ser engenheiro. De família simples, ele trabalha hoje em uma das maiores empresas no ramo de petróleo do mundo, a Petrobras.  Para conseguir trabalhar como Engenheiro de Petróleo, Guerra precisou passar em um concurso público e disputar uma vaga com candidatos de todo o país.

- Saiba mais sobre o curso na Guia de Profissões do GE

- Os quatro melhores cursos de Engenharia de Petróleo do Brasil

Em entrevista ao GUIA DO ESTUDANTE, Guerra conta como fez para conseguir se destacar no mercado e como é o dia a dia de quem trabalha na profissão.

A escolha da profissão

Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Luiz adorava ajudar o pai a consertar as coisas de casa. Gostava muito de carros e também sempre quis entender como funcionava uma plataforma de petróleo. Com o tempo, percebeu que todos esses interesses se relacionavam a  áreas da Engenharia. “Sempre pensei em seguir a carreira de Engenharia, nunca quis outra coisa”, assume.

Por conta dessa paixão, decidiu fazer o Ensino Médio em uma escola técnica. No curso de Mecânica, Guerra teve a possibilidade de escolher entre duas áreas para estagiar: aviação e petróleo. “Tentei nas duas, mas consegui passar em aviação”, conta. O estágio durou um ano, o suficiente para ele se interessar por Engenharia Aeronáutica.

Fez faculdade no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), mas não chegou a trabalhar na área.  Ao se formar, decidiu que não queria trabalhar longe de casa, o que seria impossível exercendo a profissão de engenheiro aeronáutico. Para resolver a questão, Guerra não hesitou em mudar os rumos: “Precisei olhar para trás e ver quais eram as outras áreas que gostava. Lembrei-me do meu interesse pelo petróleo e resolvi estudar para passar no concurso da Petrobras, já que um dos grandes polos petrolíferos do Brasil é no Rio de Janeiro”, explica.

De acordo com Luiz Guerra, qualquer pessoa que seja formada em Engenharia, independente da área, pode prestar o concurso da Petrobras e trabalhar como Engenheiro de Petróleo. Dentro da empresa, o funcionário passa por um curso de formação que dá os conhecimentos necessários para trabalhar na área.

O que um engenheiro de petróleo estuda?

Para quem quiser se graduar diretamente na profissão, segundo o Guia de Profissões do GE, é possível fazer Engenharia de Petróleo em mais de dez universidades públicas do Brasil. Luiz explica: “Os cursos de Engenharia têm, em média, cinco anos de duração cada. Os dois primeiros anos são iguais para todos, com conteúdos básicos, e apenas nos três últimos anos o curso é focado em cada especialidade”.  Segundo Guerra, o curso dado pela Petrobras condensa os principais conteúdos estudados pelos tradicionais nesses últimos anos de formação.

- Confira as universidades que oferecem o curso de Engenharia de Petróleo

São estudadas seis grandes áreas: Geologia (explora a formação do petróleo e como localizá-lo), Reservatórios (analisa onde o combustível fóssil se deposita, os tipos de reservatórios e o movimento dos fluídos dentro do reservatório), Poços (aborda as técnicas para perfuração de poços e estuda os equipamentos utilizados), Elevação e Escoamento (estuda o escoamento dos fluidos desde o reservatório até a superfície), Área de Operação (ligada à prática, estuda os equipamentos submarinos de controle da produção e a planta de processamento de fluidos das plataformas) e Estudo Econômico (analisa a viabilidade dos projetos e planeja gastos e ganhos).

O dia a dia da profissão

Um engenheiro de petróleo pode trabalhar tanto em escritórios como em “regime de embarque”, que acontece quando um profissional permanece, por exemplo, por duas semanas no posto de trabalho e depois desembarca para ter alguns dias de folga. Ao contrário do que possa parecer, não é só no mar que o funcionário pode ficar. Há campos de produção em terra, como no Estado do Amazonas, por ficarem distante da região urbana, também exigem o embarque.

Luiz trabalha em um escritório, localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ele é responsável por estudar e projetar equipamentos que viabilizem ou aumentem a produção de petróleo da Petrobras. Em seu dia a dia, presta suporte técnico aos operadores embarcados e, dependendo do trabalho, vai diretamente acompanhar algum procedimento nas plataformas. “Também preciso ficar de olho nos avanços tecnológicos para ajudar a desenvolver novos equipamentos para a Petrobras”, conta.

Oportunidades no mercado de trabalho

A área de petróleo passa por um momento de expansão no Brasil e abrirá muitas oportunidades de emprego. Com a descoberta do Pré-Sal, o aumento na produção do combustível permanecerá em alta nas próximas décadas. “Desde a descoberta de um campo até o início da produção decorrem anos, é um trabalho que necessita de muitos profissionais envolvidos”, explica.

O engenheiro de petróleo participa de todo o processo de extração do material. É preciso pensar no projeto, no planejamento e em todas as etapas até a chegada do óleo à refinaria. “A produção continua por algumas décadas. Depois de descoberto o reservatório, é preciso trabalhar na manutenção de sua produção de forma rentável e segura”, conta.

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