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‘Desistir jamais’: Elza Soares fala sobre homenagem da Bienal da UNE

A cantora fala sobre pandemia e carreira em papo exclusivo

Por Giulia Gianolla Atualizado em 21 jul 2021, 11h51 - Publicado em 18 Maio 2021, 19h00

Aos 90 anos, a icônica Elza Soares é a grande homenageada da 12ª Bienal da UNE – Festival dos Estudantes. O evento começa nesta terça-feira (18) e vai até 23 de maio. O tema deste ano é “Brasil, um povo que resiste”.

Cartaz da abertura da 12ª Bienal, com Elza Soares como homenageada.
Cartaz da abertura da 12ª Bienal, com Elza Soares como homenageada. UNE/Divulgação

Quem vê Elza nos palcos hoje pode não imaginar a quantidade de desafios que ela superou. Sua história de resistência começou 1930, em uma favela do Rio de Janeiro, onde nasceu. Ela viveu sua infância em um cortiço e foi obrigada pelo pai a se casar ainda criança. Aos 12 anos teve seu primeiro filho. Seu marido na época, Lourdes Antônio Soares, atirou duas vezes contra a jovem mãe quando descobriu que Elza tinha se tornado uma cantora.

Ela conquistou o público pela primeira vez em 1953, em um concurso musical apresentado por Ary Barros, o “Calouros em Desfile”.  Aos 21 anos, ela tinha acabado de ficar viúva e já tinha 4 filhos.

Elza sofreu com diversos casos de racismo durante sua carreira. Em um dos tristes episódios,  jogaram uma lâmina de barbear dentro de sua roupa durante um show. Casada com o jogador de futebol Mané Garrincha, viu sua carreira deslanchar, passar por altos e baixos, enquanto sua vida pessoal era rodeada de violência. Segundo a biografia escrita por Zeca Camargo, Garrincha ficava agressivo quando bebia.

Na música, fez sucesso com muitas de suas obras. Em “A carne”, denunciou o racismo cantando que ‘a carne mais barata do mercado é a carne negra’.  Disse que Deus é mãe ‘e todas as ciências femininas’ em “Deus há de ser” e respondeu à violência contra a mulher ameaçando ligar para o 180 em “Maria da Vila Matilde”.  Em 1999, foi eleita pela Rádio BBC de Londres como a cantora brasileira do milênio.

Elza conta ao GUIA que se sente jovem e se coloca junto aos estudantes na luta: “Nós somos jovens, somos presentes e vamos em frente!” Ela vai se apresentar no ato-show de abertura da Bienal da UNE junto ao rapper Flávio RenegadoLucas ‘Koka’ Penteado, ator e rapper que participou do BBB21. Na conversa, a cantora lembra a importância da união no momento atual e reflete sobre a carreira

GUIA – Qual a sensação de ser um símbolo de resistência e um ídolo para tantos jovens estudantes?

Elza – Estamos todos juntos nessa luta, né? Sem diferença de idade, cor, de nada… Estamos juntos.

GUIA – O tema da Bienal é “Brasil, um povo que resiste”. Este tem sido um ano difícil para todos. Onde você tem encontrado forças para resistir?

Elza – Eu acho que  encontro forças na própria vida, no amor, na história. Eu amo esse Brasil. E vamos passar por isso. Lógico que vamos.

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Elza, acompanhada do rapper Renegado, com quem se apresenta hoje na Bienal da UNE.

GUIA – Qual é a importância dessa edição da Bienal?

Elza – Desistir jamais. Nós somos jovens, somos presentes e vamos em frente, gentem!

  • GUIA – Como a pandemia mudou Elza Soares?

    Elza – Não mudou! Eu continuo a mesma, me amando, amando ao próximo e achando que a vida é isso aí, gente. A vida é beleza.

    GUIA-  O que você tem a dizer para os estudantes?

    Elza – Desistir nunca. Desistir jamais. Continuem, por favor! Vocês são o Brasil de amanhã, gente. Por favor, conto com vocês.

     

    A live de Elza Soares  no Teatro Municipal de São Paulo terá com transmissão ao vivo pelo YouTube da UNE.

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