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O Carnaval já foi cancelado no Brasil?

Neste ano, o Carnaval não vai acontecer na maioria dos estados. Relembre outros cancelamentos

Por Redação 12 fev 2021, 20h09

Em decorrência da pandemia de covid-19, as festividades de Carnaval foram canceladas ou adiadas na maioria dos estados brasileiros. Em 21 estados, o ponto facultativo de Carnaval também foi suspenso e a decisão prevê dia normal de trabalho nas datas  – 15 e 16 de fevereiro – originalmente definidas para a festa.   

O objetivo das medidas é impedir aglomerações comuns no Carnaval:  blocos de rua, viagens coletivas, desfiles de escola de samba.  O número de casos e óbitos pelo coronavírus é elevado em todo o país.

Mas será que a festa de Carnaval já foi cancelada ou adiada outras vezes na história do Brasil? Sim. Duas vezes.  

Adiado em 1892

Ministro do interior, Cesário Alvim decidiu mudar a data do Carnaval para junho motivado por problemas de infraestrutura e falta de limpeza das ruas. Nesse período, o Brasil lidava com o controle da febre amarela e mais uma série de doenças  

José Maurício Conrado, especialista em Carnaval e professor de Marketing da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em entrevista ao G1, explica que nessa época o Carnaval começava a se enraizar no Rio de Janeiro e, em São Paulo, ainda era conhecido como entrudo: uma festa violenta em que as pessoas fantasiadas saíam nas ruas e se atacavam com farinha, água e limões de cheiro. As escolas de samba ainda não existiam. 

Esse primeiro adiamento, porém, não foi respeitado pelos foliões e houve comemoração nas duas datas de Carnaval, uma em fevereiro e outra em junho. 

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  • Adiado em 1912

    Desta vez, o motivo do adiamento foi a morte do ministro das Relações Exteriores, José Maria da Silva Paranhos Júnior, mais conhecido como Barão do Rio Branco. Ele faleceu uma semana antes das festas. 

    “O povo sofreu muito e decretou-se o adiamento para dois meses depois, em abril. Em princípio, parecia algo sensato, mas, quando chegou o sábado de carnaval, o povo foi para a rua afogar as mágoas e acabou o luto. Efetivamente, aconteceram dois eventos”, conta Leonardo Bruno, pesquisador-orientador do Observatório de Carnaval do Museu Nacional ao Estado de Minas

    O povo cantou uma marchinha que fazia referência ao Barão do Rio Branco: “Com a morte do barão, / tivemos dois ‘carnavá’. / Ai, que bom, / ai, que gostoso / se morresse o marechá”, em referência ao Marechal Hermes da Fonseca, o então presidente do Brasil.

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    E durante a Gripe Espanhola?

    Diferentemente do que ocorre hoje, com a pandemia de coronavírus, durante a Gripe Espanhola (1918-1920) – pandemia que deixou cerca de 50 milhões de mortos no mundo –, as festividades de Carnaval foram mantidas no ano de 1919 e, inclusive, consideradas a maior de todos os tempos. 

    “A gripe chegou, arrasou, matou milhares, mas em determinado momento ela foi embora, por volta de outubro, novembro. Isso fez com que o evento do ano seguinte [1919], segundo todos os relatos, tenha sido o mais louco de todos os tempos, dos mais irreverentes que se tem notícia. O povo foi para a rua com a necessidade de celebrar o fim daquela coisa terrível”, afirma o professor Paulo Miguez, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em entrevista ao Estado de Minas.

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