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Enem: banco de questões não será suficiente para 2022, alertam servidores

Por conta da pandemia, o Banco Nacional de Itens (BNI) não foi atualizado e não deve ter agora mais do que 200 perguntas. Entenda as consequências

Por Juliana Morales 24 nov 2021, 20h33

O Banco Nacional de Itens (BNI) fornece insumos para as diversas avaliações e exames desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O BNI estabelece quais são as questões aprovadas para fazerem parte das provas do Enem. Segundo relatos de servidores ao Globo, não há questões disponíveis para o exame de 2022.

Ao todo, o exame é composto por 180 questões, mas é necessário ter ao menos duas provas por ano, caso haja reaplicação. Por conta da pandemia, não foram feitos novos itens em 2020 e 2021. Isso pode explicar o porquê da crise sanitária do coronavírus não ter aparecido nas últimas edições, já que na última vez que questões foram adicionadas no banco ainda não conhecíamos o vírus.

Segundo apuração dEstadão, o Enem não deve ter agora mais de 200 questões. 

Esse fato também pode justificar o exame não ter sido tão “a cara do governo”, como o presidente Bolsonaro afirmou que seria. Em contramão da fala dele, a prova trouxe questões sobre luta de classes e desigualdade de gênero, por exemplo.

Por ser um processo demorado, que inclui a criação de um edital e a contratação de profissionais externos do Inep, não foi possível criar novos itens para a prova desse ano.

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Polêmicas envolvendo o Banco de Itens

Na sexta-feira (19), a revista Piauí denunciou interferência que o então presidente do Inep, Marcus Vinícius Rodrigues, fez na prova aplicada no ano de 2019. Junto com outras três pessoas por ele designadas e munidos com carimbos com os dizeres “sim” e “não”, o grupo vetou 66 questões do exame que já estava pronto. 

No documento que a Piauí teve acesso, funcionários do Inep pediam a reabilitação de 38 questões e concordavam com a eliminação de 28 delas. Ainda que não seja possível ter acesso às questões na íntegra, pois ainda fazem parte do banco, é possível identificar o itens que incomodaram o tribunal ideológico daquele ano. As perguntas censuradas envolviam Chico Buarque, quadrinhos de Mafalda e Laerte, poemas de Ferreira Gullar e Paulo Leminski, feminismo, Madonna, relações internacionais, ditadura militar, entre outros assuntos.

Censura no Enem 2021

De acordo com o relato de servidores nesse mês, o diretor da avaliação da educação básica, Anderson Oliveira, que faz o meio de campo entre a equipe técnica que elabora o Enem e o presidente Danilo Dupas, teria lido as questões de uma primeira versão da prova e solicitado a exclusão de mais de duas dezenas delas. Com a exclusão das questões na primeira versão, servidores contam que foi necessário refazer a prova duas vezes para tentar manter a capacidade do exame.

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