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11 de setembro: entenda o ataque terrorista que completa 20 anos

Especialistas explicam as causas e consequências dos atentados que impactam o mundo até hoje

Por Julia Di Spagna Atualizado em 18 ago 2021, 18h51 - Publicado em 8 mar 2021, 23h59

O que você estava fazendo em 11 de setembro de 2001 no momento em que o primeiro avião atingiu as Torres Gêmeas? Ainda que tenham se passado 20 anos dos ataques, difícil quem não lembre daquele trágico momento que entrou para a história. 

Dois aviões comerciais sequestrados foram arremessados contra dois edifícios do complexo World Trade Center, em Nova York, causando a morte de cerca de 3 mil pessoas. No mesmo dia, um terceiro avião comercial sequestrado foi arremessado contra o edifício do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, e um quarto avião comercial sob controle de terroristas caiu na Pensilvânia antes de chegar ao seu suposto destino, a Casa Branca, residência oficial do presidente americano. 

As imagens foram veiculadas pelas emissoras de televisão do mundo todo, retratando ao vivo o choque do segundo avião contra a torre  do World Trade Center. 

“O atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 foi um acontecimento emblemático não só pela tragédia de cerca de 3 mil vítimas fatais na capital financeira do capitalismo globalizado, mas, também, porque colocou em xeque a chamada ‘Nova Ordem Global”, que pressupunha a hegemonia político-militar dos Estados Unidos após a dissolução da União Soviética em 1991”, explica Luis Felipe Valle, professor de Geografia do Colégio Oficina do Estudante.

Segundo Valle, historiadores chegaram a supor que, pelo domínio econômico, político e bélico das potências ocidentais capitalistas, o desenvolvimento do mundo seria hegemônico. As sociedades seriam pautadas sem grandes interferências pelo processo produtivo urbano-industrial ditado pela globalização financeira das grandes empresas privadas transnacionais e pelo Estado democrático neoliberal de países como EUA, Reino Unido e França. 

O grupo fundamentalista religioso Al-Qaeda, que, na época, era liderado por Osama Bin Laden, sunita e um dos fundadores da organização, assumiu a autoria do ataque – as aeronaves foram sequestradas por integrantes do grupo. 

Contexto

Segundo Alex Perrone, professor do Curso Poliedro, as motivações que levaram Osama Bin Laden e a Al-Qaeda a realizarem atentados contra os EUA são resultado de um longo processo histórico da evolução política do Oriente Médio.

Para entender o episódio, é preciso lembrar que os EUA, em plena Guerra Fria, enviaram armas, ofereceram treinamento e se aliaram ao Afeganistão para evitar que a União Soviética expandisse seus territórios ao sul e chegasse aos poços de petróleo ou ao Oceano Índico.

E, apesar de vitoriosas, as tropas afegãs, comandadas por Bin Laden (então aliado dos EUA), sofreram baixas catastróficas na guerra afegã-soviética e o país encontrava-se em cacos depois de quase uma década de conflito. Com isso, acusaram o governo americano de não cumprir seus acordos com as tropas, negligenciando ajuda financeira para reconstruir o Afeganistão.

Além disso, as intervenções dos norte-americanos nas nações do Oriente Médio como um todo, o apoio ao Estado de Israel, a interferência dos Estados Unidos no Irã (a partir dos anos 1950) são outros exemplos de motivações para os ataques.

“Os atentados ocorreram em um contexto em que grupos muçulmanos radicais atribuíam ao Ocidente, e principalmente aos EUA e seus aliados, inclusive Israel, os males e as dificuldades sofridas pelo mundo muçulmano em geral, como a Guerra do Golfo e seus desdobramentos, e o conflito entre Israel e Palestina”, explica Thomas Wisiak, coordenador de História do Grupo Etapa

Segundo o Wisiak, os atentados também revelaram novas formas de ação terrorista, aumentando a dificuldade de identificação e localização de seus autores e tentando expor a vulnerabilidade de uma potência mundial como os EUA.

Consequências

Os especialistas apontam que a principal consequência dos ataques de 11 de setembro foi a consolidação da chamada “Guerra ao Terror”, que não estava direcionada a um país específico, mas a uma prática de ação política, com a aprovação de uma série de leis que, em nome do combate ao terrorismo, reduziram a liberdade e a privacidade de cidadãos nos Estados Unidos, especialmente os estrangeiros. 

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Essa prática fez parte de uma doutrina de política externa estadunidense, conhecida também como Doutrina Bush. Em referência ao presidente dos EUA na época dos atentados, consistiu uma série de ações políticas, econômicas e militares contra o chamado “eixo do mal”, formado por países de alguma forma considerados uma ameaça aos valores ocidentais, como a democracia e a liberdade individual. 

“Vale lembrar também que a ‘Guerra ao Terror’ levou a uma concentração de prisioneiros de guerra sob custódia dos EUA na base militar de Guantánamo, em Cuba, a fim de escapar de leis nacionais e acordos internacionais sobre o tema. A condição desses prisioneiros, isolados durante vários anos sem direito a julgamento, por exemplo, serviu de pretexto para ações de vingança de grupos terroristas muçulmanos mais recentes, como no caso do Estado Islâmico”, diz o professor do Etapa.

Perrone também destaca que foi a Guerra ao Terror que fomentou a política bélica do governo norte-americano na primeira década do século 21, levando o país a declarar guerras ao Afeganistão e ao Iraque. 

A primeira invasão promovida pelos EUA após o 11 de Setembro de 2001 ocorreu no Afeganistão, comandado pelo grupo fundamentalista islâmico Talibã, que era acusado de abrigar as tropas da Al-Qaeda. “A ação militar dos EUA conseguiu derrubar o governo dos mulás do Talibã e constituir um governo mais próximo aos seus interesses”, diz Perrone.

Em 2003, junto com a Inglaterra, o governo de Bush afirmou que o Iraque, comandado por Saddam Hussein desde o final da década de 1970, detinha um grande arsenal de armas de destruição em massa e representava um perigo à população mundial. “Este foi o argumento para depor o antigo ditador iraquiano, que foi perseguido enquanto as tropas anglo-americanas bombardeavam fortemente o país. Encontrado em um esconderijo e condenado à morte, Saddam Hussein foi enforcado em 2006”, completa o professor do Poliedro.

Outra consequência foi que, devido à frequente associação do terrorismo ao mundo árabe e à religião islâmica, os casos de islamofobia, xenofobia e intolerância contra pessoas árabes e muçulmanas começou a se tornar um problema grave nos Estados Unidos e na Europa.

E os problemas ocasionados na época estão longe de acabar. “A Guerra ao Afeganistão já deixou mais de 75 mil mortos no país que continua economicamente falido, politicamente instável e socialmente destruído. De certa forma, a guerra continua até os dias atuais devido à insurgência e presença do grupo fundamentalista, também sunita, Estado Islâmico, que reivindica a retomada de poder em territórios antes controlados por Bin Laden”, diz Valle.

Na hora da prova

O professor Perrone, do Poliedro, recomenda que os vestibulandos fiquem atentos às causas e consequências do atentado, além de entender a situação atual dos países envolvidos no assunto. “Nos vestibulares, é muito comum as disciplinas como História e Geografia usarem de fatos recentes para abordar o que foi aprendido ao longo da vida escolar. Portanto, o 11 de Setembro e a constante atualização sobre o assunto é indispensável para a capacidade crítica do candidato relacionada aos acontecimentos relevantes da complexidade geopolítica mundial”, diz.

O tema também pode ser utilizado para abordar o fundamentalismo muçulmano, o terrorismo de grupos fundamentalistas muçulmanos (jihadismo), aspectos de redes terroristas como a Al-Qaeda, a política estadunidense de “Guerra ao Terror” e as campanhas militares dos EUA no Afeganistão, em 2001, e no Iraque, em 2003.

‘A intolerância contra povos árabes e islâmicos, que persiste até os dias atuais, é outro ponto a se destacar, assim como as consequência desastrosas da interferência política de nações hegemônicas que tentam controlar ou influenciar sociedades e territórios ricos em recursos naturais ou estrategicamente localizados sem respeitar a soberania popular e a organização sociopolítica local’, afirma Valle.

 

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