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Che Guevara e a Revolução Cubana

Herói ou bandido? Duas obras retratam a figura de Che Guevara, um dos mais famosos revolucionários da história mundial

Por Redação Atualizado em 15 jun 2021, 12h59 - Publicado em 9 out 2009, 16h06

No dia 14 de Junho de 1928 nasceu Ernesto “Che” Guevara, um dos principais líderes da Revolução Cubana, que  marcou profundamente a história da América Latina. Com a derrubada da ditadura de Fulgencio Batista, chegou ao poder o grupo 26 de julho, liderado pelo advogado Fidel Castro e pelo médico argentino “Che” Mesmo em meio a dificuldades, crises e forte pressão do vizinho EUA, Cuba é atualmente o único regime comunista das Américas.

Quem foi Che Guevara?

Ernesto Guevara foi um revolucionário que ajudou a instaurar um novo regime político – unipartidário e socialista – em Cuba, que dura até hoje. Para muitos, Che é um mártir que se opôs a ditadores e aos EUA e lutou por sociedades mais justas em países como Guatemala, Congo e Bolívia.

Para outros, foi um guerrilheiro obcecado por violência que usou de métodos polêmicos – como perseguir e matar opositores – para atingir seus objetivos. De qualquer forma, é uma figura histórica importante e um ícone cultural em todo o mundo, chegando a ser venerado como santo em algumas partes da Bolívia. Seu nome e seu rosto viraram símbolos de rebeldia, sendo usados até hoje em camisetas, pôsteres, músicas e até games.

Revolução Cubana

No México, conheceu Fidel Castro e seu irmão Raúl e ingressou no Movimento 26 de Julho, que planejava tomar o poder em Cuba, então sob a ditadura de Fulgêncio Batista. Em 1956, 82 guerrilheiros navegaram do México até lá, mas foram atacados na costa – a maioria morreu. Che se feriu, mas sobreviveu e seguiu com o grupo para as montanhas de Sierra Maestra

O grupo cresceu e iniciou a Revolução Cubana, realizando ataques entre 1956 e 1958. Em 1959, tomaram Santa Clara e Santiago de Cuba. Batista fugiu, permitindo a tomada de Havana sem confrontos. Che ocupou diversos cargos no governo e viajou o mundo como embaixador de Cuba.

SAIBA MAIS ++ SUPERINTERESSANTE: Quem foi Che Guevara?

Para conhecer um pouco mais de perto os detalhes desse episódio, GUIA recomenda um filme e uma história em quadrinhos lançados recentemente, cujo tema é Che Guevara – hoje um verdadeiro mito global, com o rosto estampado em milhões de camisetas, pôsteres e muros.

 

Che, de Steven Soderbergh (2008)

O longa tem início em 1964, quando Che chega aos Estados Unidos para discursar, em nome de Cuba, na Assembléia das Nações Unidas. Nos dias em que passa no país, Che concede entrevista a uma jornalista. O tema abordado é a Revolução Cubana, ocorrida em 1959. Esse é o enredo de Che, estrelado pelo porto-riquenho Benicio Del Toro, que interpreta o guerrilheiro.

A narrativa retorna a 1952, quando, apoiado pelos EUA, Batista dá um golpe de Estado e instaura uma ditadura em Cuba. A pobreza, o analfabetismo e a concentração de posse de terras causam, nos anos seguintes, forte descontentamento popular. Em 1953, o advogado Fidel Castro planeja um levante, mas fracassa e se exila no México. É quando tem o primeiro contato com Che Guevara.

Em um pequeno apartamento, Che conhece Raúl (Rodrigo Santoro) e Fidel Castro (Demían Bichir). Após relatar ao companheiro argentino as mazelas de seu país, Fidel o convida a participar do movimento que derrubaria Batista. Guevara junta-se ao grupo. Em novembro de 1956, os irmãos Castro, Che e mais 80 rebeldes seguem para Cuba de barco. A ideia de Fidel Castro era plantar raízes em Sierra Maestra, uma região pouco povoada no lado leste da ilha.

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Os rebeldes montam uma base na mata e aos poucos vão avançando pelo país. Com mensagens revolucionárias, eles conseguem a adesão de centenas de camponeses que se opõem ao regime de Batista. Depois de consolidada a posição de cada um, os revolucionários seguem para as cidades. Após anos de luta, a guerrilha avança rumo à parte mais povoada de Cuba, ao mesmo tempo em que a ditadura entra em crise e uma revolta popular sai às ruas contra Batista – que foge do país. Em 1º de janeiro de 1959, os rebeldes invadem Havana, a capital cubana, para ocupar o vazio de poder.

Em Che, o espectador fica conhecendo muitas das circunstâncias que levaram ao grupo de Fidel Castro ao comendo e pode assimilar melhor certas características do período da Guerra Fria. No final, por causa dos atritos com o governo dos Estados Unidos, o novo poder cubana terá de se alinhar, cada vez mais, com o regime da União Soviética, até acabar levando as instituições políticas a seguir o modelo soviético, com sua ditadura de partido único.

Che – Os Últimos Dias de um Herói

Che - Os Últimos Dias de um Herói
Pinterest/Divulgação

A obra em quadrinhos Che – Os Últimos Dias de um Herói (R$ 34,90), com roteiro de Héctor Oesterheld e desenhos de Alberto e Henrique Breccia, todos argentinos, chega ao Brasil com mais de 40 anos de atraso. Já não era sem tempo. Os desenhos são magníficos e influenciaram muito as histórias em quadrinhos mundialmente desde então. A narrativa, com frases curtas, dá um ritmo cinematográfico ao conjunto. Tomando como ponto de partida o último combate do guerrilheiro, a HQ narra toda a sua vida.

Um aspecto interessante da obra é que ela foi um pilar para a construção do mito Che Guevara. Nela, o homem é tratado como um herói mítico, cujo maior atributo é seu caráter humanitário. Com sua leitura, podemos acompanhar a construção de uma lenda.

Naturalmente, como narrativa histórica, é preciso levar em conta que os autores eram apoiadores da guerrilha, o que determina diversas passagens da obra, como as que exaltam o “foquismo” (ideia de que uma revolução pode ser gestada com base na atuação isolada de um “foco” de combatentes) e o ideal de um “homem novo” e as que mostram os camponeses de forma depreciativa em relação aos guerrilheiros. A narrativa, porém, registra fatos importantes, como a tensão com os EUA e a distância que Che tomou do regime soviético, que seria adotado no Estado cubano, fazendo uma alusão sutil às suas divergências com o próprio Fidel, que o acabaram levando de de volta à guerrilha no Congo e depois na Bolívia, onde morreu, em 1967.

A edição é completada por um prefácio do consagrado escritor argentino Ernesto Sábato, admirador confesso de Che, e por uma nota posterior do editor Rogério de Campos, que narra o assassinato de Oesterheld e de toda a sua família pela ditadura argentina na década de 1970, em parte por sua autoria dessa obra-prima dos quadrinhos.

Veja também o vídeo do Politize: 5 coisas que você não sabia sobre o socialismo cubano

FONTES

Livros

Che Guevara, Uma Biografia, de Jon Lee Anderson

De Moto pela América do Sul – Diário de Viagem, de Ernesto Guevara

Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX, de Francisco Carlos Teixeira da Silva

A Vida em Vermelho, de Jorge Castañeda

Documentário
Chevolution

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