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Che e a Revolução Cubana

Nos 50 anos da vitória rebelde em Cuba, duas obras retratam a figura de Che Guevara, um dos mais famosos revolucionários da história mundial

Em janeiro de 2009 completaram-se 50 anos da Revolução Cubana, que marcou profundamente a história da América Latina. Com a derrubada da ditadura de Fulgencio Batista, chegou ao poder o grupo 26 de Julho, liderado pelo advogado Fidel Castro e pelo médico argentino Ernesto “Che” Guevara. Mesmo em meio a dificuldades, crises e forte pressão do vizinho norteamericano, Cuba é atualmente o único regime comunista das Américas.

Para conhecer um pouco mais de perto os detalhes desse episódio, são boas opções um filme e uma história em quadrinhos lançados recentemente, cujo tema é Che Guevara – hoje um verdadeiro mito global, com o rosto estampado em milhões de camisetas, pôsteres e muros.

SAIBA MAIS

Revolução Cubana (GUIA DO ESTUDANTE)

Filme: Che

Longa de 2008 dirigido por Steven Soderbergh, ele tem início em 1964, quando Che chega aos Estados Unidos para discursar, em nome de Cuba, na Assembléia das Nações Unidas. Nos dias em que passa no país, Che concede entrevista a uma jornalista. O tema abordado é a Revolução Cubana, ocorrida em 1959. Esse é o enredo de Che, estrelado pelo porto-riquenho Benicio Del Toro, que interpreta o guerrilheiro.

A narrativa retorna a 1952, quando, apoiado pelos EUA, Batista dá um golpe de Estado e instaura uma ditadura em Cuba. A pobreza, o analfabetismo e a concentração de posse de terras causam, nos anos seguintes, forte descontentamento popular. Em 1953, o advogado Fidel Castro planeja um levante, mas fracassa e se exila no México. É quando tem o primeiro contato com Che Guevara.

Em um pequeno apartamento, Che conhece Raúl (Rodrigo Santoro) e Fidel Castro (Demían Bichir). Após relatar ao companheiro argentino as mazelas de seu país, Fidel o convida a participar do movimento que derrubaria Batista. Guevara junta-se ao grupo. Em novembro de 1956, os irmãos Castro, Che e mais 80 rebeldes seguem para Cuba de barco. A ideia de Fidel Castro era plantar raízes em Sierra Maestra, uma região pouco povoada no lado leste da ilha.

Os rebeldes montam uma base na mata e aos poucos vão avançando pelo país. Com mensagens revolucionárias, eles conseguem a adesão de centenas de camponeses que se opõem ao regime de Batista. Depois de consolidada a posição de cada um, os revolucionários seguem para as cidades. Após anos de luta, a guerrilha avança rumo à parte mais povoada de Cuba, ao mesmo tempo em que a ditadura entra em crise e uma revolta popular sai às ruas contra Batista – que foge do país. Em 1º de janeiro de 1959, os rebeldes invadem Havana, a capital cubana, para ocupar o vazio de poder.

Em Che, o espectador fica conhecendo muitas das circunstâncias que levaram ao grupo de Fidel Castro ao comendo e pode assimilar melhor certas características do período da Guerra Fria. No final, por causa dos atritos com o governo dos Estados Unidos, o novo poder cubana terá de se alinhar, cada vez mais, com o regime da União Soviética, até acabar levando as instituições políticas a seguir o modelo soviético, com sua ditadura de partido único.

HQ: Che – Os Últimos Dias de um Herói

A obra em quadrinhos Che – Os Últimos Dias de um Herói (R$ 34,90), com roteiro de Héctor Oesterheld e desenhos de Alberto e Henrique Breccia, todos argentinos, chega ao Brasil com mais de 40 anos de atraso. Já não era sem tempo. Os desenhos são magníficos e influenciaram muito as histórias em quadrinhos mundialmente desde então. A narrativa, com frases curtas, dá um ritmo cinematográfico ao conjunto. Tomando como ponto de partida o último combate do guerrilheiro, a HQ narra toda a sua vida.

Um aspecto interessante da obra é que ela foi um pilar para a construção do mito Che Guevara. Nela, o homem é tratado como um herói mítico, cujo maior atributo é seu caráter humanitário. Com sua leitura, podemos acompanhar a construção de uma lenda.

Naturalmente, como narrativa histórica, é preciso levar em conta que os autores eram apoiadores da guerrilha, o que determina diversas passagens da obra, como as que exaltam o “foquismo” (ideia de que uma revolução pode ser gestada com base na atuação isolada de um “foco” de combatentes) e o ideal de um “homem novo” e as que mostram os camponeses de forma depreciativa em relação aos guerrilheiros. A narrativa, porém, registra fatos importantes, como a tensão com os EUA e a distância que Che tomou do regime soviético, que seria adotado no Estado cubano, fazendo uma alusão sutil às suas divergências com o próprio Fidel, que o acabaram levando de de volta à guerrilha no Congo e depois na Bolívia, onde morreu, em 1967.

A edição é completada por um prefácio do consagrado escritor argentino Ernesto Sábato, admirador confesso de Che, e por uma nota posterior do editor Rogério de Campos, que narra o assassinato de Oesterheld e de toda a sua família pela ditadura argentina na década de 1970, em parte por sua autoria dessa obra-prima dos quadrinhos.

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