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Como funciona o nosso sistema imunológico?

Entenda como nosso corpo enxerga "invasores" como o coronavírus e se prepara para nos defender na hora e depois

Por Danilo Thomaz Atualizado em 4 Maio 2021, 18h34 - Publicado em 4 Maio 2021, 17h15

Como funciona o nosso sistema imunológico? Como ele se organiza para defender nosso organismo? Qual a importância das vacinas para sua estruturação? 

Quem vai responder a essas dúvidas – que se tornaram ainda mais relevantes durante a pandemia do novo coronavírus – é o professor Renato Corrêa Filho, do grupo Anglo. Formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especializado em genética pelo Instituto Butantan, Renato é professor há 27 anos, além de ser autor do material didático do ensino médio e do pré-vestibular do Anglo.  

Sistema imunológico 

A sua função é nos defender contra agentes estranhos ao nosso organismo. Esse “invasores” ou antígenos podem ser uma bactéria, um vírus, a célula do sangue de outra pessoa, tudo que a gente chamaria não-próprio é combatido pelo sistema imunológico. 

Como funciona 

Quando a gente nasce, o nosso sistema imunológico é mais polivalente. Isso porque ele não entrou em contato em antígenos suficientes para começar a fazer uma defesa específica, a chamada imunidade adaptativa. Essa defesa polivalente se mantém ao longo da vida. Mas nossa defesa especifica, desenvolvida com o tempo, é mais eficiente.  

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Memória imunológica 

A criação de anticorpos específicos – mais precisos e eficientes, a chamada “defesa adaptativa” – gera a nossa memória imunológica. Algumas células que produziram os anticorpos ficam guardadas. São as ditas células de memória, armazenadas principalmente nos órgãos linfoides – como a medula óssea, os linfonodos e o baço. Se, algum tempo depois, a pessoa entrar em contato com aquele mesmo antígeno, essas células, ao reconhecê-lo, se multiplicam e produzem anticorpos tão rapidamente que eliminam o antígeno antes que ele cause a doença. 

Os anticorpos também são conhecidos como Imunoglobulinas (Ig). As imunoglobulinas M (IgMs) são os primeiros anticorpos produzidos. Sua presença no corpo indica a fase aguda da doença (fase inicial). O IgG é produzido posteriormente e é mais eficiente contra um antígeno específico. A presença dele indica que a pessoa está no fim da infeção ou já sarou. São os anticorpos da memória imunológica. 

Defesa adaptativa 

Quando a gente é invadido por um patógeno, células de defesa quebram o vírus ou a bactéria e colocam pedacinhos desse antígeno em sua membrana. É como se elas se “enfeitassem” com pedaços do vírus ou da bactéria. Esses “pedacinhos” são identificados por um tipo de linfócitos T, os chamados auxiliares. Estes detectam os pedacinhos de antígeno e entendem contra o que estão lutando dentro do corpo. E passam a estimular a ativação dos linfócitos B, que se transformam em plasmócitos para produção de anticorpos.

As vacinas 

O que as vacinas fazem é provocar o nosso sistema imunológico ao expor nosso corpo a um agente que ainda não conhecemos, nos estimulando a produzir anticorpos específicos contra ele. Em geral, as vacinas apresentam microrganismos inativados ou apenas partes deles, de modo que não consigam invadir as células e se multiplicar, causando a doença. Desta forma, produzimos anticorpos contra o tal antígeno e geramos uma memória imunológica, isto é, guardamos células de defesa especializadas em combatê-lo. Quando o mesmo antígeno invade nosso corpo novamente, é prontamente combatido com uma enorme quantidade de anticorpos, não dando tempo para que o microrganismo se multiplique e cause a doença ou, pelo menos, cause uma forma menos grave da mesma. 

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