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Microbiologia: conheça área de grande destaque na pandemia

Além da Medicina, microbiologistas podem atuar em diferentes áreas, como a farmacêutica e de alimentos

Por Juliana Morales Atualizado em 25 mar 2021, 17h01 - Publicado em 25 mar 2021, 16h06

Ainda em 2019, quando os primeiros casos de covid-19 foram detectados, cientistas conheciam parte da família Coronavírus. Mas o Sars-CoV-2, vírus causador da doença, especificamente, era desconhecido nos seres humanos. Microbiologistas do mundo inteiro se uniram para estudar e entender como o vírus ataca e como o organismo reage para conter os avanços da pandemia.

Ao longo desse tempo, acompanhamos descobertas importantes sobre o vírus e o resultado do trabalho foi o desenvolvimentos de testes para covid e produção de vacinas. Com muitas entrevistas e aparições em telejornais, microbiologistas tornaram-se também porta-vozes do que acontece na comunidade científica para a aplicação na sociedade. Apontando o que funciona ou não na prevenção da doença e o que deve ser feito para combater a disseminação do vírus.

Você já deve ter acompanhado, por exemplo, os microbiologistas brasileiros Natalia Pasternak e Atila Iamarino defenderem, com embasamento científico, o uso de máscara e do distanciamento social.

Mas o que é exatamente a área de Microbiologia?

Doutora em Microbiologia e professora da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Aline Stipp explica que a Microbiologia é a ciência que estuda a vida diminuta. Ou seja, ela engloba o conhecimento sobre as eucariontes unicelulares, procariontes, bactérias, fungos e vírus.

Esses conhecimentos são aplicados na área médica, para entender os processos fisiopatológicos que os microorganismos causam em uma infecção, como está sendo investigado em relação à covid-19. Microbiologistas também atuam em exames de laboratório, na análise de urina e fezes, por exemplo, e no controle de infecção hospitalar.

E não para por aí, o campo de atuação é vasto. Microbiologistas atuam na produção e conservação de alimentos, no controle de qualidade na indústria farmacêutica, nos campos de pesquisa e em atividades ligados ao meio ambiente, na fertilização do solo, usando bactérias fixadoras de nitrogênio e na degradação de poluentes. Na produção de vacinas, eles fazem parte de uma equipe multidisciplinar, auxiliando na descoberta do imunizante.

“Tem que gostar de laboratório e por a mão na massa. A pesquisa microbiológica envolve dias, depende do desenvolvimento bacteriano ou fúngico, por exemplo. Precisa ser dedicado e curioso para desvendar um mundo desconhecido”, afirma Stipp.

  • O estudo da Microbiologia no Brasil

    Profissionais das mais diversas áreas da saúde, farmacêuticos, biólogos, biomédicos, médicos, nutricionistas, dentistas podem se especializar em Microbiologia, em cursos de pós-graduação, mestrados e doutorados.

    Já em termos de graduação, o Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criou em 1994 o primeiro curso de graduação para formação de Bacharéis em Microbiologia e Imunologia do país. Para atender a regras do mercado de trabalho, em 2006, o curso alterou seu escopo de abrangência e passou a formar Bacharéis em Biologia, na modalidade Microbiologia e Imunologia.

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    Em 1946, o Instituto foi pioneiro no ensino da Microbiologia, na Universidade do Brasil, atualmente a UFRJ. Ele leva o nome de seu idealizador e criador, o importante professor, médico e microbiologista Paulo de Góes. Desde então, a instituição formou grandes pesquisadores que colaboraram com a sociedade com seus trabalhos e descobertas.

    O professor e Diretor Adjunto do Instituto, Marco Antônio Lemos, além da pesquisa, ressalta o papel do Instituto na divulgação do conhecimento até de uma forma leiga (não só técnica) para a população. “É preciso explicar de uma maneira que o público entenda o que é a ciência e para onde o dinheiro da pesquisa vai. Cientes da importância, as pessoas vão ajudar a defender o investimento na ciência”, afirma.

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    Muitos caminhos

    Marco Antônio, professor da UFRJ há 20 anos, é formado em Ciências Biológicas. Ele descobriu a Microbiologia só no fim da sua graduação quando assistiu a uma aula sobre o assunto e se encantou. “Minha área sempre foi a Microbiologia de Alimentos. Estudamos microorganismos produzindo e deteriorando alimentos, e como melhorar e fazer a segurança desses alimentos”. 

    O professor conta que chegou a trabalhar em laboratório clínico e também participou de projetos como o programa Santa Ajuda, no canal GNT. Como consultor e coapresentador, ele ensinou por três temporadas o público como limpar, cuidar e descontaminar as coisas em casa. “A Microbiologia te permite fazer uma série de coisas”, diz.

    Em uma disciplina que coordena, ele mostra justamente esse mercado de trabalho amplo para os alunos que optam pela área. “Ensinamos o aluno a preparar o currículo, a se preparar para uma entrevista de emprego e visitamos locais em que eles podem trabalhar nos diversos campos: usina nuclear, fábrica de bebidas, laboratórios clínicos, entre outros”.

    O professor diz que a primeira coisa que o estudante precisar saber é que a universidade não vai transformar o aluno em um gênio, mas sim apresentar os diferentes caminhos. O estudante, por sua vez, precisa entender qual deles quer seguir. “Sempre questiono: Qual é o seu sonho e objetivo? É ficar rico? Ser reconhecido por um prêmio? São caminhos diferentes”. Cada um com suas belezas e durezas, claro.

    Entre tantas opções, vinte anos atrás, Marco Antônio escolheu também lecionar e não se arrepende. “A coisa mais legal da universidade não é transformar uma reação química ou produto microbiano, mas transformar um aluno em um profissional. Não tem artigo ou prêmio científico que pague isso”.

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