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5 assuntos sobre educação que podem ser tema de redação

Confira dicas de repertório para desenvolver os diferentes recortes possíveis, incluindo pitadas do sociólogo Pierre Bordieu e do psicólogo Jean Piaget

Por Juliana Morales Atualizado em 4 nov 2021, 10h48 - Publicado em 30 out 2021, 08h00

Diante da sua relevância para toda a sociedade, a Educação é sempre uma forte temática a ser explorada pelos vestibulares. Nesse ano ainda tem o agravante da pandemia, que reforçou problemas como a desigualdade educacional, e impôs desafios e mudanças aos professores e alunos. O recente retorno às aulas presenciais no Brasil é visto por muitos especialistas como a hora de tentar recuperar e lidar com as consequências de um longo período longe da escola.

Mas como a banca do vestibular pode tratar a educação em uma redação? O tema é amplo e as provas podem seguir diferentes caminhos ao abordá-lo. O GUIA conversou com a coordenadora de redação do Curso Poliedro, Fabiula Neubern, e elencou 5 assuntos do universo da educação que podem aparecer em propostas de textos.

1- Educação financeira

Tratar da importância e dos desafios da educação financeira faz sentido para muitos vestibulares, em especial o Enem. De acordo com Fabiula, tradicionalmente, os temas escolhidos pelo exame não são restritos, ou seja, todo mundo tem ou já teve algum tipo de contato com o assunto.

Lidar com finanças engloba todas as idades, mesmo os jovens que ainda não têm suas próprias contas bancárias, vivenciam essa relação por meio de seus responsáveis. Além disso, na pandemia, acompanhamos a dificuldade do pagamento do auxílio emergencial para muitas famílias garantirem necessidades básicas, como a alimentação.

“É importante que nas escolas os estudantes aprendam a jogar melhor esse jogo (do dinheiro). É um conhecimento que ele pode levar da escola para o âmbito familiar”, afirma a coordenadora. A educação financeira, inclusive, vai fazer parte dos conteúdos aplicados em sala de aula, com a implementação do Novo Ensino Médio a partir de 2022.

Nas redes sociais, o Ministério da Educação realizou diversas publicações dando destaque ao assunto, o que pode ser uma dica para os estudantes. Confira mais detalhes nessa outra reportagem do GUIA.

2- Educação socioemocional

Outro ponto que ganhou mais visibilidade com o Novo Ensino Médio é a educação socioemocional. Já em aplicação em escolas brasileiras, trata de lidar com habilidades que vão além do conteúdo tradicional, como o autoconhecimento, comunicação não-violenta, empatia e tomada responsável de decisão. Ela pode ser ferramenta interessante no combate ao bullying e à evasão escolar.

3- A prática esportiva nas escolas

A importância da prática esportiva nas escolas é mais uma aposta nesse ano que as Olimpíadas colocaram em pauta discussões importantes, como a saúde mental e o machismo.

Fabiula chama atenção para o problema: o esporte, um elemento importante presente na cultura brasileira, vem sendo negligenciado nas escolas, seja por falta de estrutura ou por falta de profissionais da área dentro do ambiente escolar. “Isso impacta em outro eixo temático da saúde. Os vestibulares podem falar de obesidade infantil, por exemplo”, observa.

Outra questão que pode ser tratada dentro desse recorte é o esporte como um caminho para a inclusão. Em entrevista ao GUIA no Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, Pedro Ferreira, psicólogo e formador nos projetos do Instituto Autismos, falou sobre a importância do esporte na vida do seu irmão mais novo, João, que está dentro do espectro do autismo.

O irmão contou que João começou a falar com oito anos de idade e teve grande dificuldade de socialização na escola. O garoto precisou lidar com o bullying de colegas e com a indiferença e preconceito de alguns profissionais. Para reverter isso, João encontrou no esporte a solução, mais precisamente, no judô. Confira a reportagem completa aqui.

4- Alfabetização

Já no ano passado, esse foi um dos temas cotados para o Enem. A aposta ficou mais forte quando na véspera da primeira prova impressa do Enem 2020, o Ministério da Educação (MEC) divulgou nas redes sociais ações dos programas “Criança Feliz” e “Conta Pra Mim”, realizadas em parceria com o Ministério da Cidadania. Em seguida, publicou que o curso ABC (Alfabetização Baseada na Ciência) abriu mais 100 mil vagas. A iniciativa é voltada para professores que atuam na área da alfabetização.

As postagens poderiam ser parte das pistas deixadas sobre o tema da redação, como o MEC e o Inep já fizeram em anos anteriores. Porém, isso não aconteceu. Mas, segundo Fabiula, alfabetização é um tema possível para a edição desse ano, sim. O país ainda tem 11 milhões de analfabetos, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Contínua Educação 2019, divulgada pelo IBGE. Com o ano atípico, de pandemia e ensino remoto forçado, o desafio para alfabetizar se tornou ainda maior.

+ Tema de redação: como é a alfabetização de surdos no Brasil

5- Abandono Escolar

Desde o levantamento do GUIA em 2019, a evasão escolar é uma aposta para a redação. Evasão significa que o aluno sai da escola e não volta mais para o sistema. Fabiula diz que outro problema semelhante (não igual, certo?) também pode aparecer no vestibular: o abandono escolar. Nesse caso, o aluno deixa a escola em um ano mas retorna no ano seguinte.

“No contexto pandêmico, o abandono escolar foi muito forte nesse momento. Muitos pais relataram dificuldade de fazer o filho  voltar para a escola. É importante refletir como esse problema perpetua desigualdades”, diz.

Segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com o Cenpec Educação, no final do ano letivo de 2020 mais de 5 milhões de crianças e adolescentes, de 6 a 17 anos, estavam fora da escola ou sem acesso a atividades escolares.

A pesquisa também mostrou que a maioria dos estudantes que estão fora da escola eram pretos, pardos e indígenas. Os mais afetados vivem em famílias com renda domiciliar per capita de até ½ salário mínimo (61,9%). E, regionalmente, as áreas com maior número de exclusão são o Norte e o Centro-Oeste

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+ Veja mais dados de como a pandemia agravou a exclusão escolar no Brasil

Dicas de repertório para escrever sobre educação

Deu para perceber que existem vários caminhos dentro de um mesmo tema, né? O estudante precisa ter em mente que nem sempre vai ser possível treinar todos os recortes possíveis de um eixo temático.  Segundo Fabiula, a grande sacada do aluno é perceber o contato entre os temas e aproveitar o repertório em comum entre diferentes encaminhamentos.

“Não trata-se de um repertório coringa, mas quando o estudante se aprofunda e cria uma linha de pensamento que permite refletir sobre a educação, ele consegue aplicar em diversos âmbitos”, explica a coordenadora de redação.

Pensadores da área

A especialista aconselha que os candidatos busquem estudar quem teorizou educação em sentido amplo. “A principal figura é o Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Outro grande nome é psicólogo Jean Piaget, para pensar no desenvolvimento da criança”, diz.

+ Quem foi Paulo Freire e por que ele é tão amado e odiado

+ Como deveria ser a escola, segundo Paulo Freire

Olhar sociológico

No campo da Sociologia, Fabiula destaca Pierre Bourdieu para pensar na educação e as relações de poder. O autor desenvolveu o conceito de capital cultural – uma das forma de como o poder se expressa. Segundo o autor francês, ter capital não é apenas ter dinheiro. O seu comportamento, a sua postura, jeito de falar fazem aumentar seu capital – esse tipo de valor que ele chama de capital cultural.

+ “Ideias que Colam”: entenda o pensamento sobre poder de Pierre Bourdieu

Trazendo o conceito para o âmbito educacional, segundo a análise de Fabiula, a escola pode até ser, aparentemente, igual para todos, mas os alunos chegam na escola de forma diferente – muitas vezes, por conta da diferença do capital cultural entre eles. “Um aluno que vem de uma família de pais alfabetizados, ele vê livros, revistas em casa, o processo de alfabetização tende a acontecer de maneira mais rápida em relação à criança que não teve o contato com o texto escrito em casa”.

Documentos

Outro bom recurso é voltar-se para os direitos fundamentais. “O estudante que vai à Constituição, lê e anota mentalmente quais são os direitos fundamentais tem uma possibilidade de uso do dispositivo institucional em vários temas”, diz Fabiula. A partir da leitura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, por exemplo, ele pode refletir como o acesso à educação é um direito humano e o que significa ter esse direito assegurado.

Sugestões de conteúdos sobre educação

Por fim, mas não menos válido, separamos conteúdos de filmes e séries que podem estar presentes na sua argumentação. Confira!

+ 10 filmes que se passam em escolas

+ Documentário mostra vale-tudo por educação que virou mercadoria

+ Moxie: 4 pontos do feminismo tratados no filme da Netflix

+ Professores inspiradores de filmes que podem te ajudar nos vestibulares

+ Sex Education’: saiba como usar a série na redação

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