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Fuvest 2021: veja 10 possíveis temas de redação

Fanatismo, home office e deturpação do conceito de liberdade estão entre as apostas das professoras

Por Marcela Coelho 12 fev 2021, 14h25

A prova de redação da Fuvest é aplicada no primeiro dia da segunda fase do vestibular e tem um grande peso na nota final do candidato: vale 50 dentre os 100 pontos totais do dia. E a poucos dias do exame, que acontece no domingo (21), as expectativas para saber qual será o tema da redação aumentam. Inclusive se ele será um tema objetivo ou abstrato, como também pode ser cobrado pela Fuvest.

De acordo com Gabrielle Zanardi, coordenadora do Curso Poliedro de São Paulo, a Fuvest, durante a escolha de temas, “costuma fazer leituras de acontecimentos recentes, chamados de ‘fatos motivadores’, de maneira a estimular o candidato a pensar as relações sociedade X indivíduo”.

Essa redação, do gênero dissertativo, exige que o aluno saiba ir além da coletânea apresentada na prova. Para isso, o candidato precisa utilizar todo o seu repertório construído ao longo da vida, dentro e fora da escola, para fundamentar bem as suas teses sobre a discussão.  

Para ajudar vocês nesses últimos dias de preparação para a segunda fase, conversamos com Andrea Godoy, professora da redação do Colégio Anglo Chácara Santo Antônio, além de Gabrielle, do Curso Poliedro. Elas elencaram 10 temas de redação que podem aparecer na Fuvest 2021. Confira e aproveite para treinar o texto! 

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1) O fanatismo como ferramenta de retrocesso

O filósofo e enciclopedista Denis Diderot dizia que do “fanatismo à barbárie não há mais do que um passo”. Segundo a professora Andrea, ao discutir o fanatismo como ferramenta de retrocesso, o candidato seria convidado a falar sobre como opiniões ferrenhas sobre um tema acabam servindo aos interesses de grupos e pessoas que buscam retrocessos em causas sociais já consolidadas. 

“Isso porque o fanático não contesta as informações apresentadas pelo seu líder, fazendo uma adesão cega. Mais que isso: o fanático trabalha ativamente na disseminação desses ideais e faz a defesa deles inclusive com atos violentos, como vimos no ano passado”, afirma.      

2) Deturpação do conceito de liberdade 

A deturpação do conceito de liberdade – seja ela individual ou coletiva – também pode configurar um eixo temático, para Gabrielle. 

“Durante a pandemia, por exemplo, chegamos ao ponto de ver recomendações da OMS sendo colocadas em questão por serem vistas como ‘ataques à liberdade individual’. Por exemplo, a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais públicos”, ressalta.

3) A importância das estruturas democráticas para a manutenção do Estado democrático de Direito

As estruturas democráticas sólidas são um pilar para a manutenção do Estado de Direito (em que as leis são criada pelo povo e para o povo, respeitando a dignidade de cada um). Mas, a partir do momento em que as grandes estruturas estão sendo atacadas e contestadas a todo momento, isso as enfraquece e, como consequência, pode pôr em risco a manutenção da democracia como um todo.

4) A arte como ferramenta de salvação da humanidade

A arte, que é transmitida geração após geração, serve como um ponto de partida para a evolução de toda a humanidade. Dessa forma, argumenta Andrea, a arte carrega consigo conhecimentos que constituem a sociedade civilizada e negar a importância da arte coloca em risco valores fundamentais da civilização. 

A professora explica que, na pandemia, por exemplo, a arte, seja como música, literatura ou cinema, foi um fator fundamental para a manutenção da saúde mental. 

  • 5) Surtos epidemiológicos e suas relações com o meio ambiente

    Há algum tempo cientistas alertam para a necessidade de o ser humano rever como cuida do meio ambiente. Em 2017, por exemplo, houve no Brasil um surto de febre amarela. Hoje, o mundo passa por uma pandemia de origem ainda não completamente explicada. “Sem dúvida, é preciso refletir como a desconsideração desses alertas pode explicar a situação que o mundo vive atualmente” aponta Andrea.

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    6) O ensino a distância como “dificultador” do acesso à educação 

    Outra aposta de tema para a Fuvest envolve o EAD. É inegável que a tecnologia está presente no dia a dia das pessoas e pode ser uma excelente ferramenta para uso pedagógico. 

    “No entanto, em um país com tamanha desigualdade, inclusive que se impõe no acesso a essas ferramentas, a utilização delas para promover a educação pode funcionar como um segregador do acesso ao ensino”, explica Andrea. 

    7) Questões ambientais e as queimadas na Amazônia

    Outra possibilidade é que a Fuvest trate de questões ambientais, considerando como fator motivador o aumento do desmatamento na Amazônia.

    “Apesar de este problema vir desde a década de 1970, em 2020 se agravou pela ausência de políticas efetivas de proteção dessas áreas. Considerando que a Agricultura e a Pecuária são motivadores desse processo, é possível que ambas venham, também, associadas ao tema”, aposta Gabrielle.

    A própria ação humana e os seus hábitos em relação ao meio ambiente, como o consumo de carne, também podem surgir na discussão.

    8) O papel das redes sociais no processo de polarização social

    O uso das redes sociais faz parte da rotina de grande parte da população brasileira. Isso se dá pela facilidade e agilidade do acesso à informação. 

    Contudo, “esses fatores são desastrosos quando pensamos em qualidade de informação e na formação de uma opinião aprofundada a respeito dos temas mais significativos. Essa superficialidade aliada ao sentimento de pertencimento a um grupo geradas pelas redes sociais faz com que as pessoas defendam um posicionamento muitas vezes de maneira irracional”, destaca Andrea.

    9) O home office configura um avanço para as relações de trabalho?

    Mais uma aposta para a Fuvest é o home office. Com a pandemia, uma parcela significativa da população se viu obrigada a trabalhar de casa. Mas será que essa “facilidade” trouxe benefícios para o trabalhador ou essa nova forma de atuar profissionalmente trouxe mais perdas? 

    Alguns aspectos que poderiam ser levantados e pensados pelo candidato, por exemplo, são a jornada de trabalho pouco delimitada e as metas abusivas que interferem na quantidade e na qualidade de descanso necessário entre uma jornada e outra.

    10) Pandemia de Covid-19 – diversos enfoques

    A pandemia de covid-19 pode servir como ponto de partida para diversos enfoques para o tema de redação que será proposto pela Fuvest. Alguns exemplos, segundo Gabrielle, são: 

    – Temas que suscitem a reflexão dos candidatos sobre a noção de comunidade, encaixando conceitos como empatia e solidariedade;

    – Temas que considerem o produtivismo como tônica social: durante a pandemia, muito se falou sobre a Economia em detrimento da vida de trabalhadores que estiveram expostos durante o ano de 2020, especialmente autônomos – e isso diz muito sobre a sociedade;

    – Práticas condenáveis que, durante a pandemia, ganharam força e espaço para se exporem sem grandes represálias, como a xenofobia. Um exemplo é o fechamento de fronteiras em alguns países e os discursos de figuras políticas (brasileiras, também) pautadas nesse preconceito;

    – Questões sobre saúde mental e desigualdade social também podem ser consideradas. Embora esse último tema possa ser cobrado sem necessariamente estar atrelado à pandemia, como aconteceu no Enem 2020, é válido destacar o papel que o isolamento desempenhou no agravamento de ambas as questões.

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