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Fuvest 2021: 3 obras que devem aparecer na segunda fase

Professores exploram os principais aspectos de cada uma e dão dicas valiosas para essa reta final

Por Julia Di Spagna Atualizado em 9 mar 2021, 16h29 - Publicado em 11 fev 2021, 11h55

O primeiro dia da segunda fase da Fuvest 2021 é composto por uma prova de Língua Portuguesa e uma redação. A primeira parte é tradicionalmente dividida em seis questões de gramática/texto e quatro questões de literatura. 

Com isso em mente, é importante fazer um estudo direcionado e se dedicar às obras de leitura obrigatória. Mas será que é possível analisar quais os livros têm mais chances de serem cobrados? Sim! Mas vamos com calma. 

Segundo os especialistas consultados pela reportagem, a Fuvest gosta de cobrir todas as obras da lista em um mesmo vestibular (primeira fase + segunda fase). Isso não é uma regra ou uma norma, mas a chance dessas obras que apareceram menos ou que não apareceram na primeira fase serem mais visíveis na segunda fase é maior. 

Assim, faz sentido apostar nos livros que não caíram na primeira etapa do vestibular. No entanto, nada de descartar os outros. A Fuvest pode comparar características, personagens e até o enredo de duas obras (uma cobrada na primeira fase e outra não). Por isso, dedicar-se à lista completa é fundamental para um bom desempenho. 

Mas, afinal, quais são essas obras? São elas:

  • Poemas Escolhidos, de Gregório de Matos
  • A Relíquia, de Eça de Queirós
  • Campo Geral, de Guimarães Rosa

E será que você está preparado para questões sobre elas?  Para te ajudar, conversamos com Marcelo Maluf, professor de Literatura da Oficina do Estudante, Carlos Rogério, professor do Poliedro e secretário geral da União Brasileira de Escritores, e Heric José Palos, coordenador de Língua Portuguesa e Literatura do Curso Etapa. Eles comentaram os principais aspectos dessas três obras e alguns pontos especiais para ficar de olho. Confira:

Poemas Escolhidos, de Gregório de Matos

Marcelo explica que a edição definida pela Fuvest de Poemas Escolhidos contém basicamente a obra completa de Gregório de Matos. São mais de 500 páginas. Nesse sentido, estudar o autor por temas (lírica amorosa, desconcerto de mundo, lírica religiosa e poesia satírica) facilita a leitura e a análise dos textos. Além disso, fazer exercícios sobre Gregório de Matos de outros vestibulares também é uma possibilidade interessante – a Fuvest, até agora, só cobrou o autor em uma questão da primeira fase de outra edição. 

Héric reforça que, como se trata de um livro de poemas – e são muitos! – é importante que o candidato saiba os assuntos que norteiam a obra de Gregório de Matos: satírico, religioso, filosófico, crítico… “E, para tanto, é preciso que se tenha noção do mundo em que ele viveu, portanto, não se pode julgá-los com os olhos de hoje”, diz. 

“O candidato deve ser capaz de relacionar os poemas de Gregório de Matos com a época e os estilos do Barroco, movimento literário das figuras de linguagem da contradição, da oposição, então a antítese, o oxímoro e o paradoxo”, explica Carlos. 

Lembre-se que o Gregório de Matos é um grande retratista e crítico da sua época. Nos poemas satíricos, o autor apresenta um panorama do conjunto da sociedade baiana do século 17 e faz a crítica dessa sociedade, segundo o professor do Poliedro. Já os poemas amorosos são divididos em uma lírica amorosa e uma lírica mais erótica – uma característica do Barroco. E a poesia religiosa representa a importância que a Igreja Católica tinha no Brasil do século 17 e toda a mentalidade do período da Contrarreforma.

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“Tem um poema que eu sugiro fortemente que todos os candidatos estudem: ‘À cidade da Bahia’. Nela, a gente encontra um bom panorama do espírito crítico que o Gregório de Matos tem em relação à sociedade baiana da época”, orienta Carlos.

Confira aqui o podcast do GUIA sobre Poemas Escolhidos, de Gregório de Matos.

  • A Relíquia, de Eça de Queirós

    A Relíquia, de Eça de Queirós, é um livro tranquilo, sem grandes complexidades”, diz Marcelo. Segundo o professor da Oficina do Estudante, é importante o candidato ter conhecimento do enredo da obra e das discussões que ela promove: as contradições, as dependências de classe, a hipocrisia religiosa, a ostentação religiosa e o moralismo da sociedade lisboeta, por exemplo. Além disso, também é interessante o candidato se atentar ao narrador em primeira pessoa.

    Carlos, professor do Poliedro, explica que o romance português pode ser lido em várias camadas. “Em uma primeira camada, está a história de Teodorico Raposo, o protagonista que também é o narrador do livro, que é um boêmio, devasso, que se opõe, no próprio seio familiar, à tia dele”, diz Carlos. 

    Mas, segundo o professor, o texto vai além, com uma crítica ao processo do final do século 19, ao processo de coisificação e de mercantilização do homem. “Dessa forma, é um romance muito típico desse período, criticando a expansão da mentalidade burguesa que transforma tudo em mercadoria”, completa. 

    Confira aqui o podcast do GUIA sobre A Relíquia.

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    Campo Geral, de Guimarães Rosa

    “Campo Geral é uma obra lindíssima, tocante e sensível. No fim das contas, trata da dura tarefa de amadurecer, de lidar com um mundo que, como crianças, não entendemos bem. Daí o universalismo dessa história de um menino, no sertão de Minas Gerais, valer e fazer sentido em qualquer lugar do planeta. Agora, estamos falando de Guimarães Rosa, ou seja, nunca a linguagem, a sonoridade e os neologismos podem ser deixados de lado”, resume Heric.

    Um destaque que Marcelo faz é que a partir do conhecimento do enredo, o candidato deve se atentar ao crescimento e amadurecimento do personagem Miguilim ao longo da narrativa. 

    “A transição entre infância/juventude é importante para a compreensão da obra. Além disso, as relações que Miguilim estabelece com o irmão Dito, com o pai e outros personagens também são importantes”, diz. Ele também reforça que a composição de palavras e neologismos podem ser cobrados, já que o autor é conhecido por explorar os limites da linguagem escrita.

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