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Redação: fazer rascunho é perda de tempo?

Entenda as vantagens e desvantagens dessa etapa da produção de um texto

Por Julia Di Spagna Atualizado em 16 dez 2020, 15h05 - Publicado em 16 dez 2020, 15h04

Você costuma fazer rascunho das suas redações ou acha que não compensa? Esse dilema pode causar dúvidas entre os estudantes que não sabem decidir se essa etapa vale a pena ou não. Se é o seu caso, não se preocupe: vamos te ajudar a entender o que é melhor para você. 

Em primeiro lugar, é importante saber a função de um rascunho. Segundo Simone Motta, coordenadora do Colégio Etapa, o objetivo é reunir as ideias a respeito do tema fornecido pela banca, organizando-as e dando-lhes uma feição coerente e coesa. Como é o primeiro texto produzido, muitas vezes é marcado por um fluxo desorganizado de ideias, que precisam ser redistribuídas ao longo da redação – esse trabalho recebe o nome de “projeto de texto”. 

“A importância do rascunho reside exatamente aí: é nesse momento que o aluno pode ‘errar’, sem medo de ser prejudicado, pois esse texto será posteriormente corrigido, reorganizado e, finalmente, entregue ao examinador em sua versão definitiva”, diz Motta.

Mas essa etapa não é fácil. Revisar o próprio texto, em meio ao nervosismo da prova, pode aumentar as inseguranças, porém é importante não perder o foco e tentar melhorar o texto final passando a limpo. Essa é a última chance de fazer alguma mudança e, segundo o professor Milton Costa, da Oficina do Estudante, é esperado que o resultado fique diferente do rascunho. “Se o texto final é igual ao rascunho, o candidato perdeu tempo. O rascunho é o quebra-cabeças desmontado. Passar a limpo é trocar algumas peças de lugar, dispensar outras, e encaixar tudo, de uma vez por todas”, diz. 

Não se esqueça de se organizar para conseguir resolver algumas questões entre a finalização do rascunho e passar o texto a limpo. “Esse é o momento em que o rascunho esfria, amadurece, sendo o único ‘refrigerador de ideias’ de que qualquer candidato dispõe. Sem isso, não há um descolamento do texto que se está produzindo”, afirma Costa. Ou seja, o olhar fica viciado e é mais difícil enxergar possíveis erros ou incoerências.

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É possível fazer um bom texto sem rascunhá-lo?

Segundo os especialistas, é possível, mas não é frequente. “O rascunho recebe os erros do candidato, enquanto o texto definitivo deve ser o mais próximo da perfeição – assim, fazer um bom texto sem rascunho exige do estudante um grau de concentração muito grande, de modo que a coerência e a coesão não sejam prejudicadas, além de um bom domínio sobre a gramática e sobre o próprio texto”, diz Motta. Mas ela explica que o que se vê na prática não é exatamente isso: o texto sem rascunho, muitas vezes, é falho, o que implica perda de nota nos vários itens da correção.

  • Costa afirma que um vestibulando que não quer fazer rascunho precisa ter os hábitos de leitura e de escrita bem trabalhados, e, mesmo assim, alerta para o risco de rasuras em excesso.

    Afinal, fazer um rascunho ou não?

    Não existe certo ou errado. Tudo depende do tempo reservado para a redação e a segurança de cada estudante. O rascunho ajuda a se organizar – linguística e semanticamente. Mas, para que esse processo seja bem feito, é importante controlar o tempo gasto em cada uma dessas etapas, para que não se prejudicar. 

    “Se o candidato perceber que não há mais tempo para produzir o rascunho – pois, caso o fizesse, não concluiria a prova – ele deverá fazer a redação direto na folha que será entregue, pulando essa fase.  Nesse caso, toda a atenção é necessária”, explica Motta.

    Dica final: nesse contexto, percebendo que não haverá tempo para o rascunho, tente esboçar, pelo menos, um projeto de texto. Ou seja, anote suas principais ideias, o que não pode faltar na sua redação e a ordem em que você quer mencionar cada item. Assim, você diminui o risco de deixar algo importante de fora.

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