Clique e Assine a partir de R$ 20,90/mês

USP, UCDB e Unoeste ganham em Ciências Biológicas e da Terra

Nesta área de conhecimento, USP venceu entre as instituições públicas; e UCDB e Unoeste, entre as universidades privadas

Por Renato Garcia, Renata Costa, Simone Toledo e Lisandra Matias Atualizado em 17 out 2017, 12h30 - Publicado em 17 out 2017, 11h05

Em sua 27ª edição, a tradicional avaliação de cursos superiores do GUIA DO ESTUDANTE mediu a qualidade de 16,7 mil graduações. A avaliação é uma pesquisa de opinião feita, basicamente, com professores e coordenadores de curso. Eles emitem conceitos que permitem classificar os cursos em bons (três estrelas), muito bons (quatro estrelas) e excelentes (cinco estrelas). Entenda como é feita a avaliação de cursos.

A partir da avaliação, são identificadas as melhores instituições de Ensino superior (IES) do Brasil – públicas e privadas – e aquelas que mais se destacam em oito áreas do conhecimento.  Entenda os critérios do Prêmio Melhores Universidades 2017 aqui.

Veja a seguir as melhores da área de Ciências Biológicas e da Terra em 2017:

Melhor universidade pública: USP

Cursos da área de Ciências Biológicas e da Terra da USP são reconhecidos pela qualidade do corpo docente e pelo foco nas aulas práticas

Fachada do Instituto de Biociências da USP, em São Paulo Marcos Santos/Jornal da USP/Divulgação

Os cursos da área de Ciências Biológicas e da Terra da USP, na Cidade Universitária, em São Paulo, têm total foco na prática, o que se comprova pela infraestrutura de seus institutos e faculdades.

Na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), por exemplo, existe um hospital veterinário para animais de todos os portes, além de um museu de anatomia animal e um ambulatório exclusivo para atendimento de aves silvestres.

Já o Instituto Oceanográfio (Iousp) dispõe de dez laboratórios e a maior biblioteca especializada em Oceanografia do país. Seus alunos contam com duas bases de pesquisa no litoral paulista, uma em Ubatuba e outra em Cananeia, onde ficam dois navios oceanográficos, além de dois barcos, essenciais para o cumprimento das 150 horas de embarque obrigatórias no currículo do curso.

Para Gilberto Fernando Xavier, diretor do Instituto de Biociências (IB), onde são ministradas as aulas do bacharelado e da licenciatura em Ciências Biológicas, o diferencial da USP também está no seu corpo docente e no envolvimento que esses professores têm com as atividades de pesquisa.

“A maioria dos nossos docentes realizou doutorado ou pós-doutorado em laboratórios de qualidade internacional e implantou laboratórios semelhantes na universidade para dar prosseguimento a suas pesquisas”, explica Xavier.

“Por estarem engajados na produção de conhecimento, os professores levam essa experiência e postura intelectual para a sala de aula, influenciando e motivando os alunos a adotarem atitudes similares”, acredita o diretor.

Em 2016 foram desenvolvidos 458 projetos de pesquisa só no IB, envolvendo diferentes áreas como genética, zoologia e botânica.

Outra faculdade engajada em pesquisa científica é o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), onde mais da metade dos alunos dos bacharelados em Meteorologia e Geofísica trabalham em projetos de pesquisa atualmente. Lá também os cursos passam por uma reforma curricular, a fim de melhor atender às demandas do mercado de trabalho.

Além da criação de novas disciplinas, o curso de Meteorologia vai passar a exigir estágio curricular supervisionado obrigatório.

Cursos interdisciplinares na USP Leste

O bacharelado em Gestão Ambiental, oferecido pela USP Leste, destaca-se por ofertar uma formação mais ampla ao estudante. Além de disciplinas na área de ciências biológicas, o curso possui um forte viés em ciências humanas e exatas, com foco em gestão.

“O objetivo é promover debates e formar profissionais com uma visão abrangente do meio ambiente, em seus aspectos naturais e sociais”, explica a coordenadora Andrea Cavicchioli.

Também no campus da Zona Leste se encontra a licenciatura em Ciências da Natureza, avalida pela primeira vez pelo Guia do Estudante e já com cinco estrelas. O curso tem total caráter interdisciplinar e oferece formação conjunta em Física, Química, Biologia e Ciências da Terra.

Continua após a publicidade

Seu diferencial, porém, está no estágio obrigatório. Durante três semestres, os alunos devem estagiar numa mesma escola. No primeiro módulo, estudam a instituição como um todo, seus espaços e rotinas. No segundo, o foco é na sala de aula e em suas dinâmicas. Por fim, no terceiro módulo, eles exercem a docência propriamente dita.

Melhores universidades privadas: UCDB e Unoeste

Boa localização dos campi e infraestrutura permitem aos estudantes da UCDB e da Unoeste unir aulas teóricas e práticas

Vista geral do campus da UCDB, em Campo Grande (MS) UCDB/Divulgação

Currículo atualizado, vinculação a pesquisas e uma excelente infraestrutura para as atividades práticas são as características em comum dos melhores cursos da área de Ciências Biológicas e da Terra da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande (MS) e da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente (SP).

A UCDB possui diversos laboratórios nos quais os alunos do curso de Ciências Biológicas realizam atividades de ensino e pesquisa, como os de botânica, zoologia e biotecnologia.

“Os alunos de graduação têm acesso a todos os equipamentos para realizar as aulas práticas, bem como participar de projetos de pesquisa no âmbito da iniciação científica”, explica a professora Luciana Mendes Valério, coordenadora da licenciatura de em Ciências Biológicas da UCDB.

Os alunos da licenciatura têm disciplinas voltadas para a Pedagogia e um eixo específico da Biologia, que é cursado juntamente com os alunos do bacharelado. E, segundo a coordenadora, a maioria dos professores é doutor ou mestre com dedicação exclusiva.

Os estudantes que cursam licenciatura dividem com os graduandos de outras licenciaturas da UCDB as bolsas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (Pibid).

Em 2016, a universidade contou com 83 bolsas para seis licenciaturas, e os bolsistas atuaram em seis escolas públicas de Campo Grande. “Mesmo aqueles que não participam desse programa passam por estágios de docência nas escolas da região com supervisão de professores”, conta a professora Luciana. Os alunos realizam projetos práticos desde o primeiro ano junto aos alunos da rede municipal de ensino.

Infraestrutura para a prática

Já os alunos dos cursos de Ciências Biológicas e da Terra da Unoeste têm o privilégio de estarem em uma das regiões mais importantes da agropecuária no país.

A localização do campus onde estão esses cursos, em Presidente Prudente, no interior do Estado de São Paulo, permite a integração com fazendas e empresas locais, trazendo benefício ao ensino dos graduandos, bem como abrindo oportunidades de emprego para os recém-formados.

Fazenda Experimenta da Unoeste, em Presidente Prudente (SP) Ector Gervasoni/Unoeste

A Unoeste tem uma grande infraestrutura à disposição dos alunos. São mais de 3 milhões de metros quadrados ocupados por seus dois campi e sua fazenda experimental, onde são realizadas aulas práticas e pesquisas. O curso de Ciências Biológicas realiza ali atividades de inventário da flora e fauna nas Áreas de Preservação Permanente (APP).

Já os alunos de Zootecnia acompanham a rotina de manejo em bovinocultura, entre tantas outras atividades. “Temos ainda o nosso Centro Zootécnico, que nos possibilita integrar aula teórica e prática em um mesmo turno, abordando temas como suinocultura, piscicultura e outros”, conta Ana Claudia Ambiel Corral Camargo, coordenadora do curso de Zootecnia da Unoeste.

Além da estrutura própria, a instituição proporciona a seus alunos visitas técnicas e científicas para outras regiões de interesse dos cursos, como o Pantanal.

Há cerca de um ano, a instituição lançou o programa de extensão Pequena Propriedade Produtiva Rural. Por meio dele, 50 alunos dos diversos cursos de Ciências Biológicas e da Terra desenvolvem, supervisionados por professores, atividades em assentamentos agrários.

“É uma vivência por meio da qual os jovens dormem nos assentamentos e, junto com os pequenos produtores, colocam a mão na massa, ensinando e fazendo conjuntamente melhorias locais, como a construção de silos”, conta a professora Ana Claudia, que destaca ainda o aspecto de responsabilidade social do projeto. “Os alunos passam a valorizar mais o homem do campo, e é uma experiência de vida e solidariedade”, afirma.

  • Continua após a publicidade
    Publicidade