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‘Os 7 de Chicago’: entenda debate histórico e atual do filme da Netflix

Racismo institucional é exposto em possível candidato ao Oscar

Por Giulia Gianolla Atualizado em 26 out 2020, 19h51 - Publicado em 24 out 2020, 06h00

Um dos filmes mais aguardados do ano pela crítica, Os 7 de Chicago  foi lançado nesta sexta-feira (16) na Netflix. A trama gira em torno do julgamento de sete líderes de movimentos sociais que foram presos e acusados pelo governo americano de conspiração e incitação à violência, em 1968. 

O longa do roteirista e diretor Aaron Sorkin é uma aula sobre História americana. O GUIA apresenta alguns pontos da obra que podem ser utilizados como referência nas redações e vestibulares.

Anos 60

O filme é ambientado em 1968, ano de marcos importantes: morte de Martin Luther King, assassinato do presidente Robert F. Kennedy, Guerra do Vietnã e a intensificação da luta pelos direitos civis.

Após a morte de John Kennedy,  Lyndon Johnson assumiu a presidência. Grande parte dos americanos estavam posicionados contra a permanência das tropas americanas na guerra do Vietnã. Por essa causa em comum, grupos distintos se uniam nas ruas para protestar: hippies, uniões estudantis, negros, mulheres. A popularidade de Johnson estava em queda. 

  • Durante a Convenção Nacional do Partido Democrata, em Chicago, manifestantes entram em confronto com a polícia. Oito pessoas foram detidas: Abbie Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, Tom Hayden, Rennie Davis, John Froines, Lee Weiner e Bobby Seale. O processo deste último acabou sendo julgado em separado do grupo, reduzindo o número para sete. O julgamento dessas lideranças teve grande repercussão pública e durou quase cinco meses, de setembro de 1969 a fevereiro de 1970. 

    Como relacionar o filme e a atualidade?

    Durante o julgamento, o filme reproduz os gritos que marcaram a época: “o mundo inteiro está assistindo”. Não é difícil associar com os protestos por justiça racial do Black Lives Matter, em 2020.

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    Racismo

    A criminalização da população negra e o racismo institucional – no caso do filme, por parte da própria Justiça federal – são retratados com intensidade. O movimento dos Panteras Negras é representado pela figura de Bobby Seale. Juiz do caso, Julius Hoffman ordenou que Seale fosse amarrado em uma cadeira e amordaçado, sem possibilidade de se defender na ausência de seu advogado. Além do filme da Netflix, a arbitrariedade contra Seale é narrada em detalhes no livro “Seize the Time“.

    Violência policial

    No filme, há uma cena emblemática em que policiais tiram seus crachás de oficiais antes de cometer atos violentos contra manifestantes. Na história real de Chicago, o prefeito, Richard J. Daley, ordenou à polícia “que atirasse para matar em qualquer pessoa com um coquetel molotov ou algo semelhante na mão”. A fala ficou famosa entre os americanos como símbolo de impunidade de agentes públicos.

    Em 2020, o estrangulamento do ex-segurança negro George Floyd por um policial em frente às câmeras de celular expôs a violência institucionalizada de policiais americanos. O ex-policial Derek Chauvin ficou por 8 minutos com o joelho no pescoço de Floyd. Chauvin foi preso, mas ganhou liberdade condicional após o pagamento de multa de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,6 milhões), segundo documentos da Justiça dos Estados Unidos. O caso foi o estopim de protestos do movimento Black Lives Matter por justiça racial em várias partes do mundo.

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