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Entenda a história por trás de 14 expressões populares brasileiras

Afinal, onde fica a casa da Mãe Joana? Por que Inês é morta? E quem é Minerva para o voto dela importar tanto?

Por Julia Di Spagna Atualizado em 6 set 2021, 07h35 - Publicado em 1 abr 2021, 16h11

Quem nunca pagou um mico? Ou já comprou algum item que custou os olhos da cara? E você já fez uma vaquinha? Essas expressões são comuns no nosso dia a dia e conseguem definir de maneira única o que queremos dizer. Mas já parou para pensar na origem de cada frase?

Se a curiosidade bateu, confira a história por trás de 14 expressões populares brasileiras. Da próxima vez que ouvi-las, explique o significado para amigos e divirta-se! Confira: 

1 – Agora, Inês é morta

A referência diz respeito a Inês de Castro, que teve um romance proibido com Dom Pedro I – filho do rei de Portugal, Dom Manuel. 

Na época, século 14, casamentos arranjados eram comuns e o herdeiro acabou se casando com Dona Constança. Inês era sua dama de companhia.

Com a morte da esposa, Dom Pedro e Inês decidiram ficar juntos. A decisão não agradou ao rei, que, um dia, aproveitou que o filho estava fora do castelo e mandou executar a moça. Ao retornar, D. Pedro ficou furioso. “Agora, Inês é morta”, teria dito Dom Manuel. 

Quando assumiu o trono, D. Pedro ordenou a morte dos homens responsáveis pela conspiração, afirmou que havia se casado em segredo com Inês e, na cerimônia de posse, queria que ela também fosse coroada. Para isso, seu cadáver foi recuperado e o novo rei fez nobres e súditos beijarem a mão do corpo.  

Hoje, a expressão é usada como sinônimo de “é tarde demais”. 

2 – A ficha caiu

Até a década de 90, para fazer uma ligação em telefones públicos, ou orelhões, era necessário depositar uma ficha. Quando a ligação completava, dava para ouvir o barulho dessa ficha caindo. Hoje, a expressão é usada quando alguém entende ou percebe algo.

3 – Custar os olhos da cara

A teoria mais aceita dessa expressão é a de que um dos conquistadores da América, o espanhol Diego Almagro, teria perdido um de seus olhos quando tentava invadir uma fortaleza inca. Ao encontrar com o imperador Carlos I, ele afirmou: “defender os interesses da Coroa espanhola me custou um olho da cara.”

4 – Casa da Mãe Joana

No século 14, a rainha de Nápoles, Joana I, tornou-se uma fugitiva após ser acusada de participar de uma conspiração que desencadeou na morte de seu marido. O cunhado da rainha e rei da Hungria, Luís I, ficou enfurecido e invadiu a região, obrigando Joana a fugir. Ela partiu para Avignon, na França, onde conseguiu reinar. Lá, ela decidiu regulamentar os bordéis, que passaram a ser chamados de Paço da Mãe Joana. No Brasil, a expressão tomou um tom mais popular e “paço” foi substituído por “casa”.

  • 5 – Para inglês ver

    Na época do Império, existiu uma forte pressão da Coroa Inglesa para que o Brasil combatesse o tráfico de escravos. As autoridades brasileiras diziam que estavam tomando medidas para combater a escravidão, entretanto, pouco era efetivamente feito para mudar essa realidade – as ações eram apenas “para inglês ver”.

    Ou seja, hoje a expressão é usada para afirmar que algo está sendo feito apenas para manter as aparências.

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    6 – Voto de Minerva

    Na versão romana da mitologia grega, Minerva é equivalente a Atena, deusa da razão e da justiça.

    Em uma das histórias desse universo, o mortal Orestes matou a própria mãe e o amante dela para vingar a morte do pai, Agamenon. Em um julgamento presidido por Atena, que definiria se Orestes seria condenado à morte, houve uma votação com 12 cidadãos. Mas houve um empate e ficou a cargo de Atena/Minerva dar o voto que decidiria o resultado. Ela acabou inocentando o mortal.

    7 – Chutar o balde

    A origem da expressão é desconhecida, mas uma das teorias remete à época das execuções na forca. Os condenados eram colocados de pé em cima de um bloco. Depois, amarravam uma corda em seu pescoço e o bloco era retirado. Às vezes, outros objetos eram usados, como escadas ou mesmo baldes, que eram chutados pelo executor. 

    8 – Pôr a mão no fogo por outra pessoa

    A expressão surgiu de um tipo de tortura da Idade Média, na época da Inquisição. O acusado tinha sua mão envolvida em uma cera inflamável ou em um pano ao qual era ateado fogo. Após três dias, o material era retirado e, se ele estivesse sem feridas, significava que era inocente e protegido por Deus. Caso encontrassem alguma lesão, consideravam que a pessoa não tinha proteção divina e deveria ser sentenciada à morte.

    9 – Fazer uma vaquinha

    Na década de 1920, a torcida do time de futebol Vasco da Gama criou uma forma diferente de incentivar os jogadores: arrecadar dinheiro e dar prêmios aos atletas. A regra era inspirada no jogo do bicho: se o placar fosse 1 a 0 (10 = coelho), o prêmio seria de 10 mil réis. Um dos prêmios mais cobiçados era a vaca, número 25 (2 a 5) no jogo do bicho e que renderia 25 mil réis.

    10 – Meia tigela

    Na monarquia portuguesa, os funcionários da coroa recebiam os alimentos de acordo com o serviço que realizavam. Enquanto alguns recebiam uma tigela inteira de comida, pessoas consideradas “menos importantes” recebiam apenas meia tigela. 

  • 11 – Tem caroço nesse angu

    A frase tem origem no período da escravidão. Para poderem se alimentar um pouco melhor, alguns escravos conseguiam esconder um pedaço de carne ou de torresmo em meio ao prato que recebiam apenas com angu de fubá. A expressão surgiu dos comentários entre escravos quando um prato estava suspeito e, por isso, hoje, significa que alguém está escondendo algo. 

    12 – A sete chaves

    No século 13, era comum o uso de arcas de madeira para guardar documentos importantes e riquezas. Elas costumavam ter quatro chaves e cada uma ficava com uma pessoa – de forma que a arca só poderia ser aberta com todos juntos. Então, por que não é “guardado a quatro chaves”? Por causa da conotação mística do número sete que, com o tempo, gerou a mudança na expressão. 

    13 – Erro crasso

    Em 53 a.C., no período do Primeiro Triunvirato, o romano Marco Licínio Crasso dividiu o poder com Júlio César e Pompeu. Segundo a cultura popular, a expressão surgiu como referência aos erros cometidos por Crasso durante a batalha de Carras. Ao tentar conquistar o Império Parta, ele teve seu exército dizimado e morreu no combate. 

    14 – Pagar mico

    Já ouviu falar no “Jogo do Mico”? É um jogo infantil que ganhou força na década de 1950, no qual o baralho é formado por figuras de animais e o objetivo é formar pares com o macho e a fêmea de cada espécie. O único que não tem par é o mico. Por isso, o jogador que terminar com ele na mão perde o jogo – paga o mico.

    Gostou da origem dessas 14 expressões? Já conhecia alguma? Faltou o GUIA falar de alguma expressão conhecida? Comente nas nossas redes sociais.

    FONTES/PARA SABER MAIS

    Revistas: SUPERINTERESSANTE, EXAME e Aventuras na História.
    Livros: A Casa da Mãe Joana, de Reinaldo Pimenta,  Locuções Tradicionais do Brasil, de Câmara Cascudo
    Site: O Guia dos Curiosos

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