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Design de Moda: descubra a profissão que vai muito além das passarelas

Quer saber qual curso fazer? Onde trabalhar? A gente te ajuda!

Se pensarmos em termos funcionais, um estilista não se distancia tanto assim de um arquiteto ou de um designer de produtos. Afinal, ele cria produtos que devem ser esteticamente agradáveis e funcionais. Mas por que, então, o universo da Moda parece tão mais inacessível e rodeado de clichês (positivos ou não) para tanta gente? 

Bom, as poucas informações disponíveis sobre a profissão e a baixa oferta de cursos na área – com uma mãozinha, é claro, da ficção (quem nunca viu O Diabo Veste Prada?) – podem nos dar algumas pistas de como essa profissão que está por toda parte parece, aos olhos da maioria, distante. 

A Moda está nos grandes desfiles, está no trabalho de estilistas famosos como Chanel, Lagerfeld e McQueen, na alta costura e nos elegantes croquis. Mas também está em todos os processos da indústria têxtil que leva roupas “comuns” ao guarda-roupa de pessoas “comuns”. Está no tingimento de tecidos, na produção de fios e em processos manuais como o tricô e o bordado.

De uma forma ou de outra, é preciso estudar todas essas opções e traçar objetivos antes de mergulhar de vez na área: se foram os clichês que te levaram a se interessar pela profissão, certifique-se de conhecer bem o curso, mercado de trabalho e as perspectivas para não se frustrar. Mas se são justamente os estereótipos que te desanimam, descubra, neste texto, como a indústria da moda tem muito mais a oferecer!

Questão de talento?

Assim como a maior parte das profissões com um pezinho no design, a Moda desperta certo receio em quem não tem lá muitas habilidades manuais e artísticas. Mas longe do que se imagina, não se trata de uma questão de “talento” e nem é preciso entrar em um curso de Moda sabendo desenhar ou costurar perfeitamente. Ter alguma noção ou contato prévio com essas práticas (assim como com alguns nomes e expressões da área) ajuda, mas não espera-se que o estudante já tenha habilidades profissionais. 

A professora de tricô e estilista Cristiane Bertoluci, por exemplo, conta que hoje, 18 anos depois de se formar, é que está aprendendo de fato a desenhar bem. Por isso, faz questão de ressaltar que, diferentemente do senso comum, a moda e até mesmo o processo de criação não se resumem apenas ao desenho. “Às vezes, criar é pegar um fio, misturar com outro e quando você vê está criando sem pegar um papel na mão”, conta. Cristina é formada em Moda e Estilo e propôs em seu mestrado na Universidade de São Paulo (USP) a criação de roupas em tricô a partir de tecido reciclado (como peças guardadas que não usamos mais). 

Apesar de já ter alguma experiência com tricô e modelagem (transformação de um desenho em molde), foi em sua graduação na Universidade de Caxias do Sul (UCS), RS, que Cristina pôde aprofundar esses conhecimentos. Em outras disciplinas, conta que aprendeu também sobre tendências e até marketing, mas foi nos laboratórios e muitas vezes fora da sala de aula que encontrou espaço para experimentar e criar. “Moda é isso, se você tem uma máquina de costura em casa, é só comprar um tecido”, conta. Além, é claro, dos estágios nas mais diversas áreas: “tem muitos campos que são possíveis para colocar em prática!”. 

Moda e Estilo, Design de Moda, Têxtil e Moda… qual curso escolher?

Dependendo da universidade ou da modalidade do curso (bacharel ou tecnólogo) é possível encontrar o curso de Moda com as mais diversas nomenclaturas. Mas, afinal de contas, será que Design de Moda ou Têxtil e Moda dá tudo na mesma?

Digamos que todos estes cursos habilitam para trabalhar na área de Moda, mas dependendo da grade curricular, do tempo do curso e de outros fatores eles podem te direcionar e preparar melhor para alguns setores. O curso de Têxtil e Moda da USP, por exemplo, prepara não só para o trabalho da área de criação e design, como também conta com disciplinas de tecnologia e gestão. Por outro lado, não tem um foco tão grande em técnicas manuais como o curso de Moda e Estilo da UCS, onde Cristina estudou. 

O que há de comum entre eles, no entanto, é que se tratam de bacharelados, de duração média de quatro anos. Já os cursos tecnológicos – geralmente de três anos – costumam ser mais práticos e contam com oficinas para desenvolver técnicas de estilismo, de desenvolvimento de coleções, modelagem e corte e costura, entre outras. 

O importante, portanto, é estudar com calma a grade curricular de diferentes universidades e, se possível, escolher aquela que mais se adequa aos seus objetivos profissionais. Você ainda não sabe muito bem com o que quer trabalhar? Calma, estamos chegando lá!

Mercado de trabalho

Nem só de estilismo se faz o mercado de trabalho da Moda. Algumas outras oportunidades menos conhecidas são, por exemplo, para personal stylists, profissionais contratados para prestar uma consultoria de moda a outras pessoas. Na indústria têxtil propriamente dita, quem cursou Moda pode trabalhar com o gerenciamento de diversas etapas, de tingimento de tecidos até a comercialização. Especialistas em marketing e branding também são cada vez mais requisitados – e esses são conhecimentos essenciais se você pretende, eventualmente, criar sua própria marca. 

Além disso, nada te impede de ir mais longe e explorar nichos menos conhecidos, como a moda sustentável ou tecnológica. Um exemplo é o projeto Jacquard, do Google, que incentiva a criação de roupas com componentes eletrônicos capazes de tocar música ou atender chamadas telefônicas. 

Áreas ligadas à educação e à pesquisa, segundo Cristina, também oferecem boas oportunidades. “Como a Moda é ainda pouco explorada em publicações na área acadêmica, está aberto para pesquisarmos, encontrarmos soluções”. Sua dica de ouro, por fim, é estar preparado para um mercado dinâmico e em constante reinvenção!